A Boca que Tudo Come Tem Fome foto de José de Holanda 10b
AgendaTeatro

A Boca que Tudo Come Tem Fome (Do Cárcere às Ruas)

A Companhia de Teatro Heliópolis estreia seu novo espetáculo A Boca que Tudo Come Tem Fome (Do Cárcere às Ruas) no dia 10 de julho, quinta-feira, no Sesc 14 Bis, às 20h. A montagem – que aborda a vida e os obstáculos enfrentados por pessoas egressas do sistema prisional – fica em cartaz de quinta a domingo, até o dia 3 de agosto.

Com dramaturgia de Dione Carlos e encenação de Miguel Rocha, A Boca que Tudo Come Tem Fome (Do Cárcere às Ruas) joga luz sobre a questão: o que significa recuperar a liberdade? Em cena, seis pessoas que passaram pelo sistema prisional brasileiro têm suas trajetórias entrelaçadas. Diante das dificuldades de reinserção social e reconstrução da própria vida, cada uma delas, a seu modo, tenta encontrar uma saída. As marcas do período que passaram atrás das grades permanecem na memória, no corpo e nos afetos. Exu, o orixá das encruzilhadas e destrancador dos caminhos, aparece como uma presença provocativa ao despertar naqueles sujeitos a fome por novos começos e a avidez por dignidade.

A encenação de Miguel Rocha se dá em um espelho d’água, uma cenografia de Telumi Hellen, que usa a simbologia do deságue para o momento em que o egresso sai da prisão, quando percebe tudo como novo. O reflexo reporta ao aprisionamento das emoções, às vivências e memórias que afloram quando “a liberdade canta”. “A saída da prisão é um desaguar. A força da água tanto pode purificar como ser violenta, e o reflexo na água pode ser espelho que leva as personagens a encararem a própria situação”, comenta o encenador Miguel Rocha.

Este é o ponto de partida para a imersão na realidade que se apresenta, nos obstáculos que enfrenta o sobrevivente do sistema carcerário para reafirmar a própria cidadania. ‘O cárcere não termina no cárcere’, é o que constatam as personagens que carregam o estigma de serem ex-detentos/tas, com o ônus de uma multa prisional a ser paga, com as dificuldades para reativar a documentação, os hábitos e experiências adquiridos na prisão, os fatores emocionais consequentes e os desafios e as armadilhas da liberdade que não raramente os levam à reincidência.

A companhia cria um espetáculo que coloca em cena a carga que o passado representa na vida das personagens egressas da prisão, mas não se fecha nisso. A dramaturgia não é determinista ao ponto de condicionar a experiência do cárcere à experiência do crime. “O olhar do Estado e da sociedade para as questões relativas à vida após o desencarceramento, que acomete geralmente pretos e pobres, ainda é muito restrito, inviabilizando a possibilidade de se viver dignamente”, comenta Miguel Rocha. “É fato que esse é um processo circular com as mesmas pessoas; as mazelas sociais se repetem nesse lugar de violência e invisibilidade, o que acaba sendo um entrave para a transformação. É preciso fugir desse ciclo para que haja mudanças. Nosso trabalho busca compreender e refletir sobre esse contexto histórico-social”, completa o encenador.

A Boca que Tudo Come Tem Fome é resultado do projeto Do Cárcere às Ruas: O Estigma da Vida Depois das Grades, cuja pesquisa parte da premissa de que o encarceramento deflagra traumas, comportamentos e perspectivas que inevitavelmente estarão presentes na retomada da vida.

Concepção geral e encenação:Miguel Rocha. Dramaturgia: Dione Carlos. Elenco:Cristiano Belarmino,Dalma Régia, Davi Guimarães, Jucimara Canteiro, Klavy Costa e Walmir Bess. Música original e direção musical: Alisson Amador. Música “A Benção”: Júlia Tizumba. Música em cena: Alisson Amador, Amanda Abá, Denise Oliveira e Nicoli Martins. Cenografia: Telumi Hellen. Assistente de cenografia: Nicole Kouts. Figurino:Samara Costa. Assistência de figurino: Clara Njambela. Iluminação: Miguel Rocha. Provocação vocal:Alisson Amador, Edileuza Ribeiro e Isabel Setti. Direção de movimento:Erika Moura e Miguel Rocha. Provocação corporal: Erika Moura. Oficinas de dança: Ana Flor de Carvalho, Diogo Granato, Janette Santiago e Marina Caron. Criações coreográficas: O coletivo, Erika Moura, Diogo Granato e Janette Santiago. Provocação teórico-cênica e mediação do ciclo de debates: Maria Fernanda Vomero. Estudos em teatro épico, performance e dança: Alexandre Mate, Murilo Gaulês e Sayonara Pereira. Operação de luz: Gabriel Rodrigues. Operação de som: Lucas Bressanin. Microfonação: Katheleen Costa. Cenotécnia: César Renzi. Convidados do ciclo de debates:Fábio Pereira, Dexter, Tempestade e Vicente Concílio. Comentadores:Bruno Paes Manso e Salloma Salomão. Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. Coordenação de comunicação: Luiz Fernando Ferreira. Assistência de comunicação: João Teodoro Junior. Fotografia: José de Holanda. Registros do processo de criação: João Guimarães. Edição de textos para o programa da peça: Maria Fernanda Vomero. Direção de produção: Dalma Régia. Produção executiva: Álex Mendes e Miguel Rocha. Idealização:Companhia de Teatro Heliópolis. Realização: Sesc São Paulo.

Espetáculo: A Boca que Tudo Come Tem Fome (Do Cárcere às Ruas)
Temporada: 10 de julho a 3 de agosto – Quinta a sábado, às 20h, e domingo, ás 18h
Ingressos: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia) | R$ 18 (Credencial Sesc)
Vendas online: A partir de 1/7 – sescsp.org.br/14bis. Presencial: 2/7 – bilheterias do Sesc SP
Classificação: 14 anos. Duração: 135 minutos. Gênero: Experimental.

Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista. São Paulo/SP.
Capacidade: 523 lugares. Acessibilidade: Sim.

Deixe um comentário

Sugeridos
A Construção crédito Nil Caniné (16)
AgendaTeatro

 “A Construção”, solo com Marcelo Olinto, reestreia no Teatro Municipal Sérgio Porto

Escrita por Franz Kafka (1883-1924) seis meses antes de sua morte e...

Capitu e Bentinho foto de Eder Gaioski (3)
AgendaTeatro

“Capitu e Bentinho” estreia no Teatro Dulcina

Qual seria o casal mais célebre da literatura brasileira? Qual relação mexeu...

Squel Jorgea em “Squel, Confissões de uma porta-bandeira" - crédito: Donna Features
AgendaFestivaisFilmes

‘Squel, Confissões de uma porta-bandeira’ ganha première no Festival do Rio

Após se aposentar em 2022, Squel Jorgea decide voltar ao Carnaval do...

Crédito: Kay Marinho
AgendaInfantilTeatro

“Alice, Um Musical” estreia no Teatro Nathalia Timberg, no RJ

Com direção de Rafaela Amado, direção musical de Anna Hannickel e direção...

Carolina Chalita em Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria - Crédito fotográfico Juliana Chalita
AgendaLiteraturaTeatro

“Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria” chega ao CCPJ

Indicada ao Prêmio APTR, Carolina Chalita faz tour da peça que mergulha...

Suely Farhi barriga still de vídeo Foto Berthe Salego
AgendaArtes Visuais

Exposição “As Palavras”, de Suely Farhi

O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) abre, no dia 13 de outubro...

Cristiane Martins Série As Revoltosas 2024 detalhe de obra Fotos Micaela Mesant
AgendaEducação

Oficinas gratuitas de capacitação para mulheres no CCBB RJ

Como parte da exposição “Amazônicas: Poéticas femininas”, serão realizadas em outubro duas...

Atrações do festival
AgendaMúsicaShows

Bossa Nova Sessions ocupa o Leblon com 18 shows

Teatro Café Pequeno recebe o festival que coloca a bossa nova em...

Captura de tela 2026 09 24
AgendaInfantilTeatro

A Menina Que Inundou o Mundo no Teatro Sérgio Cardoso

Com dramaturgia de Andressa Secchin e Laura Sciulli, a montagem trata de...

Untitled design
AgendaShowsTeatro

Cine Concerto Titanic estreia no Brasil

Pela primeira vez, espetáculo reúne a exibição de Titanic à execução ao vivo de...

Murilo Lopes como Mogli - Crédito Erick Moura
AgendaInfantilTeatro

“Mogli, O Musical” estreia no RJ

Com grande elenco, 10 canções originais, cinco cenários e mais de 20...

Captura de tela 2026 09 24
AgendaTeatro

“Rita Lee: Balada da Louca” no Teatro PRIO

Depois de três meses em São Paulo, com todos os ingressos esgotados...