em

A Competência Brasileira sob a Ótica de “Hair”

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind’s true liberation
Aquarius!
Aquarius!

Os versos de Aquarius, famosa canção de abertura do musical Hair expressam um desejo comportamental que ditou os anseios de uma geração. Hair virou a matéria-prima de uma alegoria de vida, frente aos ditames bélicos e sociais de um mundo capitalista, enxergado como vilão por contrastar com a liberdade “ideológica” de grupo oprimido por um meio.

O musical faz sucesso há mais de 40 anos, quando estreou pela primeira vez em um grande teatro da Broadway no dia 29 de abril de 1968, escrita por James Rado e Jerome Ragni sobre música de Galt MacDermot, embora já tinha nascido um ano antes, nas pequenas salas “off-Broadway“, como produção do Teatro Público. Seu discurso logo ganhou a identificação da nova (e explosiva) geração sessentista, que se insurgia contra a Guerra do Vietnã.

Com (esperta) tradução de Cláudio Botelho e direção de Charles Moeller, a versão brasileira mostra-se reverente ao material original, com uma competência técnica admirável. Universalmente conhecida, a peça tem uma dramaturgia calcada no discurso, driblando o panfleto pela uniformização de semi-esquetes que se dialogam pela mensagem libertária de seu todo.

O cenário de Rogério Falcão, os figurinos de Marcelo Pies, a direção musical de Marcelo Castro, a coreografia de Alonso Barros e a luz de Paulo César Medeiros comungam da mesma simultaneidade que alia capricho e um certo “mambembismo” estético, ajudados pelo visagismo de Dudu Meckelburg e pelo desenho de som de Marcelo Claret. Assim como o elenco, notadamente de natureza musical e que comprova o bem vindo profissionalismo do ramo no Brasil: além de vozes potentemente afinadas, o espaço cênico é lindamente preenchido por performances coreografadas ou apenas com expressões corporais que dialogam com o tema.

E no fim, com a melancolia da canção Deixe o sol entrar ficamos ali, sentados ainda alguns segundos refletindo o quão distante ou perto demais aquela liturgia está de nossas convicções.

Deixe sua opinião

Resenha: Magicka

Minhas Mães e Meu Pai – Vidas públicas e privadas