Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo foto de david rodrigues 691p
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Estreia a peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo em Guarulhos

Dia 13 de maio, quarta-feira, estreia a peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo no Céu Três Pontes em Guarulhos. O espetáculo entra em circulação por São Paulo e Santo André. Dramaturgia e Direção Cênica de Laís Cafari. O espetáculo provoca uma identificação territorial com a beleza da cena dramática, o teatro existindo nas bordas e nas bordas encenadas. Grátis!

Sinopse: a peça intenciona ocupar as margens como movimento que ganha espaço, e que expande territórios. Os atuadores Jefferson Silvério, Dante Preto, João Carlos, Abraão Kimberley e o rapper Janderson Fundação iniciam na plateia com o brilho de sua encenação, proporcionando ao público uma pequena proporção da experiência do que seria estar nas “margens” de forma ativa. Instrumentos musicais compõem a encenação trazendo rezas e batuques.

Nitrido significa Ato de Relinchar e esse nome não foi escolhido à toa. Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo nasce da periferia, das margens e é na borda que a encenação acontece.

Laís Cafari fez uma ampla pesquisa sobre a alimentação na periferia, com foco em sua região, no Jardim Romano, onde a falta de tempo e dinheiro dificulta a ingestão de alimentos frescos e feitos na hora, como frutas, verduras, legumes e a absorção maior de ultraprocessados, mais baratos e mais práticos para o consumo. Também as frutas, verduras e legumes que chegam na periferia nem sempre tem o mesmo aspecto que bairros nobres.

Peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo – Foto David Rodrigues.

No palco, os atores retratam os cavalos com uma intensa coreografia em meio aos alimentos, caixas de feira, objetos de locomoção.

O EU corpo- humano, tem uma forte presença de cena, assim como o corpo-cavalo ambos sendo revezado por todes atuadores do drama, assim como as luzes brincando com o que é o atuador, o que é o cavalo e o que é o público. O lugar do “palco” será o centro, ocupado por lixos em montanhas no breu, que apenas é revelado no segundo ato. A ocupação do espaço é uma composição com a dramaturgia, pois a estética e o território é o próprio drama encenado. Encenamos as margens periféricas não só em palavras, mas com os rappers, mandando a letra ao vivo, os tambores, o trompete, o corpo negro e indígena, a pele exposta, a pichação.

Essa justificativa está sendo narrada, pois a vivenciadora em pesquisa territorial tomou para si a própria narrativa. “Cavalo” é uma dramaturgia que deriva da vida e o olhar sobre ela. Como se aprende com a rua: não é possível trabalhar sozinho. Assim, a montagem dessa peça possibilitou juntarmos narrativas com vozes ativas, sendo de fato a própria voz, o corpo em cena a estrutura do drama, da música, a estética, o figurino, a produção, a direção. Nos juntamos como potências para criar e falar de políticas, de direitos, de territórios roubados, e de terrenos semeados.

Cavalo: “Chegamos até aqui, o rio é a borda desse bairro e a linha férrea também. Navegando por esses espaços chegamos até o lado de cá. Cestas básicas foram nos oferecidas com bastante óleo de soja e açúcar refinado, entupindo nossas veias, deixando nossos batimentos cardíacos cada vez mais lentos”, de Laís Cafari.

Estamos escolhendo o seu teatro para fazer nossa feira, para desmontar nossa cerca e na relação com espaço relinchar também a palavra textual que nesse momento, chamamos dramaturgia, mas que, no texto, chamamos de portal. Nosso povo tem morrido pela boca, ingerindo aquilo que nunca se estraga, mas é também pela boca que enfeitiçamos. Se a palavra é o alimento da alma, a cena alimenta nosso desejo.

Peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo – Foto David Rodrigues.

É pelo desejo de comer que a gente alimenta a visceralidade que é emoção, que é teatro. Estrear nesse espaço nos traz a dimensão da corrida contra o vento, da corrida pelo vento a favor da pele, onde correm bolas e os pés desachuteirados e patas deferidas. Esperamos que o olhar de quem nos assistir possa invadir a realidade com o sonho da corrida voluntária. Crianças, adultos, cavalos, éguas e potros em velocidades trotadas. Nossas subjetividades foram unidas da forma mais originária, em uma esquina de quebrada, junto aos postes, aos troncos e raízes. Como exemplo dessa parceria, a escrita desse texto pôde ser desenvolvida no projeto “Jardim de narrativas” do Coletivo Estopô Balaio, que proporcionou espaço para que sementes pudessem brotar e nutrir o território, com a criação da dramaturgia “Cavalo”. Do encontro do texto com a produção, nasce a criação “Morango sem doce” um grupo-esquina que inicia sua trajetória dos encontros de duas estudantes da cena na F26 da Escola livre de Teatro de Santo André, Laís e Trinity desenvolveram juntas o projeto Cavalo, contemplado pelo ProAC 2025. Que hoje tem como propósito a estreia junto a uma temporada de Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo.

Serviço

Circulação por data

13 de maio, quarta-feira, às 15h com Libras + 1 hora de bate-papo a nutricionista Melissa Tarrão
14 de maio, quinta-feira, às 15h e às 19h, essa com Libras

Céu Três Pontes
Rua Capachós, S/N – Jardim Celia, São Paulo – 08191-330

15 de maio, sexta-feira, às 19h com Libras + 1 hora de bate-papo com nutricionista Melissa Tarrão

Teatro Conchita de Moraes – Escola Livre de Teatro
Praça Rui Barbosa, 12 – Santa Terezinha, Santo André – 09210-620

18 de maio, segunda-feira, às 15h e às 19h, essa com Libras
22 de maio, sexta-feira, às 10h e às 15h
23 de maio, sábado, às 15h com Libras

CEU São Miguel
R. José Ferreira Crespo, 475 – Jardim Sao Vicente, São Paulo – SP, 08021-480

Junho

12 de junho, sexta-feira, às 21h
14 de junho, domingo, às 18h com Libras

Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo – 03115-020

18 de junho, quinta-feira, às 20h
20 de junho, sábado, às 20h com Libras
21 de junho, domingo, às 19h

Centro Cultural Penha
Largo do Rosário, 20 – Penha de França, São Paulo – SP, 03634-020

Classificação indicativa: Livre

Duração: 90 minutos

Grátis!

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