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GOTA D’ÁGUA [a seco]

“Gota D’Água” encenada pelas palavras de Creonte.

Na tragédia grega “Medeia”, Creonte é o Rei do Corinto; na adaptação do musical de Chico Buarque ele é proprietário de um conjunto habitacional.

Nesta encenação a função intitulada [a seco] adquire a proposição da catarse do público diante do conflito entre Jasão e Joana que ao contracenarem destaca a determinação  e talento de Joana na atrocidade clássica do desenvolvimento da história de traição e vingança.

Jasão é mais jovem que Joana e tiveram dois filhos. Nas palavras detentoras de uma estranha razão de força instintiva, Joana se acha responsável pelo projeto e prestígio que Jasão atingiu como compositor de a Gota d’Água, justificando criticamente que proporcionou matéria prima e tutano para o sucesso agora em situação, separados. Jasão caiu no gosto da comunidade com seu sucesso musical que repercutiu de uma maneira que cresceu a ambição aos olhos da filha de Creonte, Alma jovem e rica.

Joana defende-se revigorada em trabalhos de inadimplência do aluguel da casa, aliando-se a muitos outros moradores em um verso raivoso, vingando a cada pagamento que não faz com apoio maioral da comunidade, que as dívidas adquiridas mês a mês visam o enfraquecimento daquele que detém o poder, Creonte.

Peça Gota D'Água (A Seco) - Fotografia Annelize Tozetto
Peça Gota D’Água (A Seco) – Fotografia Annelize Tozetto

Mulher de substância de mulher que foi trocada por outra mais jovem, sua paixão de dez anos, agora mostra-se independente transgredindo normas com apoio da base comunitária e se fortalece pela própria ruína de um alimento que degluti de forma vil.

O conflito entre o par amoroso ganha dimensão passional que não se justifica mais pela razão, Jasão ambiciona uma cadeira, objeto simples porém representa a todos a quem se senta, dos bancos da praça dos mendigos ao escritório de supremo poder passa sua presença pelo que almeja, na liberdade do que escolheu, compositor na boca do povo, no botequim, na boemia com os agrados da juventude de Alma e regalias do poder de Creonte.

Ele justifica a Joana que perdoa-a por traíres pois ela é viagem sem volta, e a matéria prima e seu tutano, defende-se dizendo que ela sugou a sua juventude e em troca ela tem para oferecer um corpo de mulher mais velha.

Joana tem o poder de mulher que foi rabo de saia, calor, colo, conforto, cozinha…o musical traz a música “Eu te amo” que não é da montagem original de Gota d’Água.

“Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios/Rompi com o mundo, queimei meus navios/Me diz pra onde é que inda posso ir/Se nós, nas travessuras das noites eternas/Já confundimos tanto as nossas pernas/Diz com que pernas eu devo seguir.”

a-seco2Sem relutar visita, chegada, presença e proximidade de Jasão como amante “vem sem avisar, vem sem dizer, estou aqui para quando quiser na nossa casa, com comida e corpo para satisfazer seus desejos”. Exemplificada na música Sem Fantasia que também não está na peça original. “Vem que eu te quero fraco/Vem que eu te quero tolo/Vem que eu te quero todo meu”.

A questão imobiliária da inadimplência de Joana e a responsabilidade de Jasão com sua nova vida ao lado de Alma, filha de Creonte o proprietário do conjunto habitacional são decisivos para a separação informal, de corpos.

O desamparo amoroso de Joana a faz percorrer seu trajeto de agonia sem domínio, palavras da derrocada da naturalidade da condição do casal e filhos, invocada traz a história do casal, do seu corpo em marcas internas e externas que sofreu como mulher e mãe, profere da relação atual situação com orixás e bruxaria curtindo uma espécie de amargor agarrando-se ao princípio e estabilidade de uma perda de elaboração. Ganha propósito de fel, sofrido e só e a maldade e veneno é a justificativa para a finalidade de sua loucura, para a decisão de Medeia, Joana: o assassinato de seus dois filhos.

Cenicamente houve impacto sonoro e visual [a seco] = CATARSE.

Provocada por palavras provocativas, conflito que destacou talento e determinação, justificativa mágica, irracional e horrorosa de instintos praticados numa ordem antinatural de pais e filhos pela ordem da vida, a lógica do personagem no musical tem letra e melodia executada com efeito de sentimento do personagem na situação.

O figurino e cenário dentro de performance dos personagens e seus limites trouxe versatilidade do local que desenrola a história como apoio para o musical e poesia dos personagens. O figurino de Joana permitia ação cênica de trabalho doméstico, filhos no colo, dança ritual e vestimenta.

A banda ao vivo dá ritmo para a mágica e horror de “Gota d’água [a seco]”.

Gota d’Água [a seco]
De Chico Buarque e Paulo Pontes
Direção e adaptação: Rafael Gomes
Direção musical: Pedro Luís

Com Laila Garin e Alejandro Claveaux

Músicos:
Antonia Adnet
Dudu Oliveira
Elcio Cáfaro
Marcelo Muller
Pedro Silveira

Cenografia: André Cortez
Iluminação: Wagner Antônio
Figurino: Kika Lopes
Diretor assistente e diretor de movimento: Fabrício Licursi
Direção de produção: Andréa Alves
Designer de som: Gabriel D’Angelo
Designers de som associados: André Garrido e Gabriel Bocutti
Preparação vocal: Marcelo Rodolfo
Visagismo: Rose Verçosa

Coordenação de Produção: Leila Maria Moreno
Produção Executiva: Monna Carneiro

Assistente de direção: Daniel Carvalho Faria
Assistente de direção musical: Antônia Adnet
Assistente de cenografia: Rodrigo Abreu
Assistente de figurino: Masta Ariane
Assistente de preparação vocal: Adriana Piccolo

Assessoria de Imprensa: Factoria Comunicação
Programação Visual: Beto Martins e Gabriela Rocha
Fotografia: Christian Gaul e Silvana Marques
Filmagem: Elisa Mendes
Marketing Cultural: Ghéu Tibério

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