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As ondas ou uma autópsia – Virgínia Woolf

As ondas ou uma autópsia, autópsia do romance As ondas.

O ator apresenta o corpo-livro a ser dissecado e delineia com o corpo as linhas do romance.

Forasteira a obra os elementos da autópsia trazem seis personalidades distintas.

Cada uma tem sua qualidade no distanciamento da narrativa, Virginia Woolf mostra sua vontade de fundir-se ao outro, espelhar-se no que não lhe é próprio, uma fragilidade que brota do que lhe falta.

Como criança, manipula brincadeiras e a destinação é a própria solidão.

Simbolizado por uma frota de barquinhos brancos, resta um, de todos que afundaram.

Esses personagens são heterônimos dela própria, um imaginário povoado de características intrínsecas a sua limitação.

Explora principalmente o alcance do amor e a distancia da realização.

Do que se distingue dos personagens, a alteridade de suas criações evidenciam desconforto. Dona do romance,  ambição complexa de relações, formou um batalhão de cavalos miniatura que o ator Gabriel Miziara se permitiu na adaptação da literatura, aquilo que emergiu do livro, das linhas, uma emancipação enquanto escritor que interpreta Virginia Woolf, no descolamento das expectativas, reflexos e alcance ao que é do outro.

Cada cavalo representa a criação de uma personalidade, atirada ao longe, a fina ironia, saber escritora de heterônimo, ator e plateia; são extensões que não se ignoram na comunicação do que se criou.

A montagem é passagem de um subjetivo da escritora que o ator adapta com interação e manipulação da tecitura do texto com mesa de autópsia, água, nudez, cabide, vestido e ítens miniatura.

Ao livrar-se de suas própria criações funda-se a anarquia que reina desta vez na concretização do amor, onde é mero devaneio, na fantasia do encontro do figurino, cenário e amplitude da realização do desejo, da delicadeza a megalomania de ser escolhida por seus atributos, a seletividade do que a constitui no mais alto do que se almeja, música.

Passado por sublime momento de única mulher desejada, há a queda na multiplicidade.

Logo, ao cair na real, porque as mãos seguram tão forte no ônibus?

O figurino conta o fim da história, da imaterialidade que constitui a propriedade da autora.

O corpo do ator se faz de objeto de um texto dissecado, nas imediações da interpretação, inspiração, criatividade, infância, autoria, amor e alegoria.

FICHA TÉCNICA

Concepção e Interpretação: Gabriel Miziara
Dramaturgia: Gabriel Miziara
Supervisão de Dramaturgia: Cássio Pires
Supervisão de Direção: Carol Fabri e Malú Bazan
Provocadores:
Cenografia: Gabriel Miziara
Iluminação: Aline Santini
Figurino: Fause Haten
Trilha Sonora: Rafael Zenorini e Gustavo Vellutini
Direção Vocal Interpretativa: Lucia Gayotto
Direção de Produção: André Canto
Realização: Canto Produções
Atividades complementares
Mesa de Debates: dia 28 de abril Quinta , às 19h
Espaço Leitura
Oficina:
Da página para a cena
O trabalho com material dramático
De 6 de abril a 11 de maio. Quartas, das 18h30 às 21h30
Espaço Beta / Informações: sescsp.prg.br/consolacao

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