Após quase uma década de circulação no Brasil e no exterior, o solo S.O.S. Quase Tudo, criado e interpretado pela palhaça Priscila Jácomo, ganha em 2025 uma nova versão: S.O.S. Quase Tudo (de outro jeito!). A montagem que traz como principal novidade a integração da acessibilidade ao jogo cênico faz novas apresentações dias 22 e 23 de novembro, sábado e domingo, às 16h, no Teatro Cacilda Becker.
O processo de recriação envolve uma equipe diversa e especializada: a audiodescritora Andreia Paiva, a consultora em audiodescrição e pessoa com deficiência visual Cristiana Cerquiari, o ator e arte-educador surdo Bruno Ramos da Silva, os intérpretes de Libras Fabiano Campos e Elaine Sampaio e o técnico de som e luz Bruno Garcia. Juntos, ao lado de Priscila Jácomo, eles repensam a dramaturgia e exploram novas formas de integrar luz, som, gesto, palavra e tradução em cena, de modo que a acessibilidade seja parte orgânica da obra e não apenas um recurso adicional.
Em cena, a personagem central – uma bruxa-palhaça-sensitiva – recebe pedidos de ajuda e inventa rituais inusitados para solucionar problemas pessoais e coletivos. Entre pós mágicos, danças e travessias, surge um desafio maior: o planeta está torto, e só a coletividade poderá endireitá-lo. Para a nova versão, foi até mesmo criado um sinal em Libras exclusivo para designar essa figura híbrida, a “bruxa-palhaça”, reforçando o caráter inovador da proposta.
Brincar com as diferenças
O espetáculo nasce do diálogo da artista com indígenas do Povo Kariri Xocó, indígenas do Povo Krahô e indígenas do Povo Guarani Mbya. Há dez anos, Priscila pesquisa os “fazedores de riso” indígenas, compreendendo a palhaça como uma conectora de diversidades, capaz de honrar diferentes formas de viver e perceber o mundo. Essa perspectiva atravessa .O.S. Quase Tudo (de outro jeito!): a bruxa-palhaça que atende pedidos de ajuda é também uma ponte entre universos, convidando o público a enxergar problemas e soluções por prismas distintos, a partir da lógica do coletivo e da pluralidade de olhares.
“O maior risco e também a maior beleza deste processo é assumir que a acessibilidade não está do lado de fora, mas pode nascer junto com a dramaturgia e a cena. Estamos descobrindo, em cada ensaio, como brincar com essas diferenças sem hierarquizá-las”, afirma Priscila Jácomo.
Serviço:
S.O.S. Quase Tudo (de outro jeito!)
22 e 23 de novembro, sábado e domingo, às 16h (sessão de sábado acessível em audiodescrição).
Teatro Cacilda Becker – Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo.
Livre | 60 minutos | Ingressos gratuitos | Acessível em Libras.









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