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Besouro Verde: A série de TV com Bruce Lee

Clássico, cult, esquisito, engraçado, memorável. Pelo menos uma destas cinco palavras são citadas quando se fala da antiga série de TV do Besouro Verde dos anos 1960 que trouxe ao mundo em definitivo o genial mestre de artes marciais Bruce Lee. Este é um homem que dispensa qualquer apresentação e merece artigos, filmes, livros e tudo mais em memória do que ele fez para o cinema e também para a busca pelo equilíbrio corporal, mental e espiritual ao trazer seu conhecimento para o ocidente. Entretanto este pequeno programa de uma única temporada certamente merece um pouco de apresentação aos muitos que não o conheceram.

Início e Produção

The Green Hornet estreou em 1966 na ABC, mesma rede que exibia o clássico Batman de Adam West e Burt Ward. E foram os mesmos produtores deste programa camp do Homem-Morcego que trataram de trazer de volta o vigilante mais clássico da cultura pop para as telinhas pela primeira vez, e a cores. A história não havia mudado muito do original e mesmo o clima camp do Batman não fez tanta presença neste programa que tinha um foco mais aventureiro. Van Williams era Britt Reid/Besouro Verde e Bruce Lee era Kato.

As aventuras do playboy dono de um grande império que se fantasiava nas horas vagas como um vigilante fora da lei ganharam mais vida, cores fortes e dinamismo. Kato agora era um mestre marcial de verdade com golpes nunca vistos antes na televisão e o Beleza Rara era algo mais estiloso. Besouro Verde tinha tudo pra dar certo, mas infelizmente durou apenas uma temporada de 26 episódios.

Um detalhe muito curioso da produção do programa é que o criador do personagem, George W. Trendle, tentou durante toda a década de 1950 realizar uma série de televisão, mas isso só foi ocorrer com o interesse da ABC na década seguinte. Mesmo que o programa não tenha sido um sucesso (em especial por não ter o clima de comédia do Batman) ele foi responsável por fazer de Bruce Lee a maior estrela de filmes marciais que o cinema americano já viu e ainda hoje é fonte de referência para qualquer um que se enverede para este estilo, sejam atores ou diretores.

A famosa secretária de Britt também estava presente no programa. Lenore Case era desta vez interpretada pela bela Wende Wagner e ambos continuavam no clássico The Daily Sentinel – o jornal da família Reid. Lenore, assim como nos programas originais dos rádios e dos movie serials, sabia do segredo de Britt.

Inesquecível música tema

A música tema de abertura do seriado ficou marcada pra sempre na mente das pessoas, inclusive de um certo diretor muito adorado pela crítica especializada, fãs de cinema e curiosos. Quentin Tarantino é um fã declarado dos filmes de artes marciais e não hesitou em utilizar a canção Green Bee (apelido dado para a música) em Kill Bill. Outra influência muito conhecida deste filme é o macacão amarelo que Beatriz Kiddo (Uma Thurman) usa, proveniente do filme O Jogo da Morte, o último de Bruce Lee. E as homenagens não param por aí: Kato foi muito lembrado durante o volume 1 de Kill Bill com os Crazy 88, que usavam um uniforme idêntico ao do fiel lutador do Besouro Verde.

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Flight of the Bumblebee é o nome original da canção composta por Nikolai Rimsky-Korsakov e foi rearranjada num estilo jazz por Billy May, Lionel Newman e Al Hirt. Todos os episódios do programa começavam com este canção e uma narração enaltecendo os feitos heróicos da dupla de vigilantes.

Diferenças da versão original

Pequenas mudanças foram feitas na mitologia do personagem em sua transposição para as telinhas. Na verdade foram mais atualizações do que mudanças propriamente ditas. O Besouro, ao invés de ter o comissário da cidade como seu confidente, tinha o promotor público, exatamente para não causar nenhuma estranheza com a mitologia de um certo Homem-Morcego. Britt continuava sendo um imperador da mídia, mas agora além do jornal The Daily Sentinel ele também possuía uma estação de TV.

No que diz respeito ao visual algumas mudanças foram feitas: ao invés de uma máscara que cobria todo o seu rosto, o Besouro agora utilizava uma máscara mais sutil e com seu símbolo bem pequeno no topo dela. Para que os atores pudessem ver melhor com as máscaras menores a ABC solicitou que as moldassem especialmente para os rostos dos atores, algo nunca feito antes – e que hoje se tornou um hábito em adaptações de super-heróis para o cinema. Além disso o Beleza Rara (Black beauty) agora era um Imperial Crown de 1966 todo estilizado para o visual do herói (diz a lenda que a ABC pagou nada menos que 50 mil dólares pelo trabalho feito no veículo, sempre dirigido por Kato).

O herói também teve atualizações tecnológicas ganhando agora um dispositivo chamado Hornet’s Sting (literalmente o Ferrão da Vespa) que projetava ondas sonoras ultrassônicas para deixar seus inimigos zonzos e abrir portas. Havia também a clássica arma de gás que nocauteava o alvo.

Histórias e Batman

Uma coisa muito bacana desta nova roupagem do herói era um aprofundamento melhor nos personagens, causando mais a identificação de cada um com cada telespectador. Tendo bons personagens em mãos a equipe responsável pelos roteiros armaram tramas mais interessantes, focadas em crime organizado, máfia e histórias não tão convencionais para um seriado de vigilantes fantasiados.

Infelizmente a época não era a correta para um público mais interessado em histórias com melhores escritas, já que o estilo comédia do Batman comandava o sistema. Sendo assim a ABC promoveu um encontro dos personagens de forma histórica e ainda criou um background para eles: em teoria Britt Reid teria conhecido Bruce Wayne quando criança e eles não se davam bem de forma alguma. A brincadeira fez sucesso e entrou para a história dos grandes encontros do Batman com outros heróis mascarados.

Kato ainda foi lembrado anos depois no filme Dragão: A História de Bruce Lee numa cena interpretada por Jason Scott Lee como Bruce Lee/Kato mostrando a produção do programa naquela época.

Em nossos próximos artigos veremos os quadrinhos do Besouro, que já somam mais de 70 anos de vida, bem como os novos filmes que o herói ganhou. Fiquem conosco!

[Veja também: O início da mitologia do vigilantismo]

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