em

Os Bórgias, uma boa época para ser católico

O canal estadounidense Showtime exibiu na última semana o primeiro episódio da série The Bórgias, e que evolução em relação as séries anteriores do canal! Ainda é muito cedo para garantir, mas começo a acreditar no ator Jeremy Irons quando este garantiu que o programa iria além da receita sexo/intrigas utilizada na maioria das séries adultas.

Não me entendam mal, contar a trajetória da família Bórgia na igreja sem muita luxuria além de chato, seria uma verdadeira blasfêmia histórica. Porém, mesmo com sua dose de erotismo, o canal Showtime parece ter percebido que possui grande material em mãos para desperdiçar como fez em The Tudors, onde a acuidade histórica ficava em terceiro plano.

Apesar de ser muito difícil não comparar The Tudors com The Borgias, já que além da segunda substituir a primeira no canal Showtime, ambas séries possuem roteiro de Michael Hirst (também escritor do filme Elizabeth), The Borgias é uma nova série e precisa ser vista sob tal perspectiva. Vale porém apontar que para dar mais credibilidade a série, o Showtime trouxe o premiado cineasta Neil Jordan, vencedor do Oscar pelo roteiro de Traídos pelo Desejo, como produtor executivo.

Os Bórgias

O episódio de estreia reuniu dois capítulos em um, e com quase a duração de um longa metragem mostrou a ascensão de Rodrigo Bórgia (Jeremy Irons) para ‘santo padre’, ou como ficou conhecido, como papa Alexandre IV. Principalmente por possuir sangue espanhol e grande sede por poder, Rodrigo e seus filhos bastardos sofreram grande perseguição dos outros cardeais – que também não eram nada santos, como o perdão do trocadilho – no início de seu reinado como líder da igreja católica. Ao lado de Rodrigo temos seu filho Cesare (François Arnaud), que apesar de seguir os passos do pai na igreja sempre almejou a carreira militar, trabalhando nas sombras para manter sua família no poder através de assassinatos, subornos e conspirações.

Junto deles, porém ainda não tão bem explorados estão Lucrécia Bórgia (Holliday Grainger), famosa por sua lascívia e beleza; Vannozza dei Cattanei (Joanne Whalleya), matrona e pai dos filhos de Rodrigo; Miguel de Corella (Sean Harris), o temível assassino de Cesare Bórgia; e Giulia Farnese (Lotte Verbeek), primeira amante do papa Alexandre IV. Já Do outro lado do poder está o cardeal Giuliano della Rovere (Colm Feore), que após perder a eleição de 1492 para o papado se torna o opositor da família Bórgia na Europa.

As boas atuações se comparam ao cenário, também mais rico que o comum utilizado nas produções do Showtime, podendo passar tranquilamente por produções mais elaboradas, como as de longa metragens.

Momento Histórico

Mas nada disto é tão essencial para o sucesso da série quanto o momento histórico. Como em raras ocasiões na história, o final do século XVI transbordou acontecimentos que alteraram a trajetória humana. Além dos fatos que plantaram a revolução na religião ocidental, a descoberta de um novo continente abria possibilidade de prosperidade e riqueza sem precedentes para os reinos europeus. Um momento que a família Bórgia através do controle da Igreja, soube aproveitar sem restrições, criando em dez anos uma péssima fama que já perdura por quinhentos anos.

Que venham orgias, indulgências, crimes, conspirações, batalhas e tudo mais que tornaram a época muito boa para ser católico!

[xrr rating=4/5]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

GIPHY App Key not set. Please check settings

Ímpar

Publicado por Salvador Camino

ModeradorVerificadoPromotor(a)EscritorGamerRepórterMusicistaFotógrafo

Especial Camelot: A morte de Artur e Thomas Malory

“Uma Manhã Gloriosa” nos vence pela notável leveza de ser