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“Revenge” foi um novelão ordinário, mas divertido

Se vingança é um prato que se come frio, Revenge foi uma série frigorífica no tocante à engenhosa revanche que Emily Thorne (Emily VanCamp), depois de ver o pai ser injustamente acusado de um crime e, posteriormente, morrer (!) por causa disso, pretendia empenhar contra a família Grayson, mais especificamente em sua matriarca, Victoria (Madeleine Stowe).

A série sempre se impôs como um novelão descarado, fantasiado de série americana, e pelo que apresentava dramaturgicamente, não tinha a menor vergonha dessa condição. Durante suas quatro temporadas – a quarta e última acabou no último mês de maio, finalizando a história – não podíamos reclamar de marasmo. Os roteiristas beiravam a insanidade com soluções folhetinescas absurdas, que paradoxalmente, funcionavam dentro de seu próprio (exagerado) contexto. As viradas eram catárticas.

Nessa última temporada, em que a tal vingança ganhou ares épicos, com confrontos megalomaníacos (explosões, prisões midiáticas, atropelamento de gestante, etc, etc…), o desgaste da fórmula já era evidente, suplantado (ou seria escamoteado?) pela habilidade impressionante dos roteiristas em construir ganchos novelescos, muito eficientes em nos grudar nos episódios – não necessariamente na trama em si.

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Tecnicamente falando, o viés folhetinesco até combinou com a estrutura seriada. Tudo porque, hoje em dia, a ressonância da TV na internet é quase preponderante para a repercussão de um produto. Revenge sempre foi endossada por essa estratégia. Muito ajudada pelos tais ganchos rocambolescos que reverberavam para além da telinha (basta lembrar do episódio em que Emily é baleada vestida de noiva, e cai no mar de cima de um iate).

Mas uma (boa) série não se faz só de viradas extremas, e a produção de Mike Kelley sofreu com a diluição de seu falível plot. A série poderia ter acabado na terceira temporada e ainda assim, correria o risco de cansar, mas ainda fizeram essa última, cientes de que a trama já estava dentro de uma espiral de auto derivação. A resolução da tal vingança foi até correta – com uma bizarra ironia no desfecho Emily/Victoria – entretanto, em termos de comparação, João Emanuel Carneiro foi muito mais astuto ao falar de vingança nos 179 capítulos de sua novela global Avenida Brasil. Mesmo que aquela histrionice no Hamptons nos deixe alguma saudade…

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