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Crítica: Nova versão de "A Bela e a Fera" não sabe para que público quer dialogar

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Um dos contos de fadas mais conhecidos no mundo, “A Bela e a Fera” já teve várias versões para o Cinema e a TV, sendo as mais conhecidas a clássica de 1946, dirigida por Jean Cocteau, a animação da Disney de 1991 e a série estrelada por Linda Hamilton e Ron Pearlman nos anos 80. A mais recente a chegar ao Brasil é uma luxuosa produção francesa que chama a atenção pelos belíssimos cenários e direção de arte, além de ser estrelada por dois dos mais conhecidos astros atuais da França. Mas este “A Bela e a Fera” (“La Belle et La Bête”), embora bem acabado tecnicamente, falha em realmente encantar o espectador por não envolver de forma apropriada o clima de fantasia necessária para este tipo de filme.

A história mostra a família de um mercador (André Dussollier) que perdeu toda a sua riqueza quando seus três navios naufragam e, após se mudar para uma casa no interior bem mais simples, faz o possível para sustentar os seis filhos. Um dia, ele recebe a notícia de que pode recuperar uma parte de seus negócios e, antes de partir, pergunta às suas três filhas o que desejam que ele traga para elas quando voltar. A mais nova, Bela (Léa Seydoux), pede ao pai apenas que lhe traga uma rosa. Após sua malsucedida empreitada, o mercador acaba indo parar num misterioso castelo onde encontra tudo o que pretendia levar para sua casa, inclusive a rosa. Porém, ao pegar a flor, ele provoca a fúria do dono do lugar, uma criatura monstruosa que ordena que ele volte para sua família e se despeça de todos, para depois se tornar seu prisioneiro. Bela, ao saber do que aconteceu, se sente culpada e se oferece para ficar no lugar de seu pai. A jovem, inicialmente, sente repulsa pela Fera e rejeita qualquer maior contato com ela. Porém, aos poucos, tenta descobrir o mistério sobre sua origem e vai baixando a guarda, o que leva os dois a se envolverem cada vez mais.

Esta nova versão de “A Bela e a Fera” tem como méritos a fotografia de Christophe Beaucarne, que utiliza cores mais frias nas cenas passadas no castelo na fase mais decadente e cores mais quentes ao retratar o passado. Os efeitos especiais também são bem realizados, embora dê para notar a computação gráfica usada na boca da Fera em alguns diálogos. Os cenários e a direção de arte são, de fato, bastante vistosos e grandiloquentes. Os figurinos realmente são muito interessantes, mas podem até incomodar pelo exagero de alguns elementos. O que prejudica mais a adaptação é o roteiro, assinado pelo diretor e Sandra Vo-Anh, que peca por tomar algumas liberdades que não ajudam em nada a tornar o conto no qual se inspirou mais atraente, como a subtrama envolvendo um dos irmãos de Bela, que tem negócios mal resolvidos com o bandido Perducas (Eduardo Noriega). Além disso, o texto não ajuda a criar um clima de romance crescente entre os protagonistas. Tudo é resolvido muito rapidamente, não dando tempo para que o espectador possa se envolver, ou mesmo torcer, pela felicidade do casal, mesmo para quem sabe como a história termina.

O diretor Christophe Gans, mais conhecido por filmes como “O Pacto dos Lobos” e “O Combate: Lágrimas de um Guerreiro”, mostra que realmente é melhor para conduzir cenas de ação, especialmente na parte final de “A Bela e a Fera”. Só que não soube como dar maior leveza à trama, chegando a criar sequências que são violentas demais para crianças, público para o qual em tese o filme se destina. Ao mesmo tempo, os adultos podem não curtir a produção, justamente por não possuir elementos suficientes para instigá-los. Outro problema está no ritmo dado por Gans, que acelera em alguns momentos e depois parece puxar o freio de mão e deixa a trama um pouco arrastada lá pela metade, o que pode fazer o público perder o interesse sobre o que está acontecendo na tela, algo lamentável para um conto de fadas.

Já o elenco tem atuações irregulares. A carismática Léa Seydoux, mais conhecida do público brasileiro por suas participações em “Azul é a Cor Mais Quente” e “Missão Impossível: Protocolo Fantasma”, vive Bela de maneira correta, mas sem muito brilho, embora não comprometa como a protagonista. Vincent Cassel se sai melhor como a Fera, mesmo debaixo de uma pesada maquiagem, dando o mistério, a selvageria e a amargura necessários para o papel. Entre os coadjuvantes, se destacam as atrizes Myriam Charleins e Audrey Lamy, que divertem como as irmãs fúteis de Bela. Uma pena, no entanto, que as duas apareçam pouco.

Embora não seja memorável, a nova adaptação de “A Bela e a Fera” serve para quem ainda não conhece as versões mais consagradas da história. O filme serve apenas como um mero passatempo e poderia ter alcançado voos mais altos. Do jeito que ficou, a produção chama mais a atenção pela forma e não pelo conteúdo, que é justamente uma inversão da mensagem do conto de fadas original.

  • Exatamente.
    O filme não mostrou os dois protagonistas se apaixonando. Não explicou em nada, foi muito acelerado e a magia pouco aproveitada mesmo estando em todo lugar.
    Quando o filme estava acabando, senti um misto de decepção com revolta. Odiei.

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