Vou começar esta resenha por duas palavras cuja morfologia estética é quase igual, retirando suas disparidades pelos prefixos. Oclusão e inclusão; talvez num jogo de semelhanças possa apanhar mais algumas palavras próximas sonoramente, visão, conclusão.

Talvez até indo mais longe, possa dizer que o plural de é verbo existir deva ser são.

Aqui posso também dizer que são quer dizer uma funcionalidade de uma pessoa dita normal, em sã consciência esta pessoa está plena em sua faculdade existencial.

Oclusão ato de fechar-se.

Inclusão ato de incluir-se.

No livro Modos inacabados de morrer, do escritor André Timm, lançado pela Editora Oito e meio, temos uma narração em segunda pessoa fluidamente distanciada, tratando da corrente narrativa em questão, por você.

No ato de referência, temos uma novidade para contar à você leitor desta resenha.

Na ciência fatos são relatados com suma objetividade para que aquele suporte de conceitos muito embasados por hipóteses e teorias possam adquirir uma moção de verdade.

Mas a ciência não estabelece os meandros da psique humana, nem da total operacionalização do cérebro.

No livro do escritor, temos o personagem Santiago, que possui narcolepsia. Dorme em situações de stress emocional, apagando completamente. Nesta correlação entre oclusão e inclusão, Santi estabelece relações com o mundo e com as pessoas ao redor. A sua visão de mundo apaga-se quando o afeto lhe força uma demanda ao outro.

O ocular, a testemunha, a pessoa que presencia seu “desligamento” o percebe de maneira inteiramente afetiva. Tanto Agnes, sua melhor amiga, quanto Valerie, uma menina que tem sentimentos de afetos por ele, estão enfeixadas pelo subjetivismo de Santi.

O grande barato de André, é colocar esta situação narrativa em close e em segunda pessoa testando os moldes culturais de leitura do leitor em relação à formas de visão do outro como existência. Um truque para aproximar o leitor do narrado e, assim, o próprio operacionalizar sua auto-leitura como corpo são?