Quando me inteirei que Greg Rucka voltaria à série regular da Mulher-Maravilha no Renascimento DC, após tantos anos daquela magnífica etapa de 2006, já sabia que viria coisa boa. E o que temos em mãos com a primeira edição de Wonder Woman, que a Panini publicou este ano, é que Rucka sabe escrever histórias sobre mulheres fortes e interessantes. Rucka passou anos se concentrando em seus próprios projetos, como a distopia Lazarus e Black Magick pela Image e retorna neste número, que tem uma aparência de intranscedente.

A heroína teve uma trajetória irregular nos Novos 52, mas apesar disso, muito melhor que outros personagens da editora, como por exemplo o Superman e o Green Lantern. Começou com uma magnífica etapa de Brian Azzarello e Cliff Chiang, que durou 35 números, muito centrada na mitologia grega, e com os desenhos das versões dos deuses gregos de Chiang. Reconhecida como uma das melhores etapas do personagem, senão a melhor, sendo destacado nesta edição sobre sua origem e sua relação com Ares, na qual a personagem passa por uma contenda contra o Minotauro, que converteu em quem é hoje.

Após o fim da etapa de Azzarello, casal Meredith e David Finch apresentando uma fase lamentável e graças que durou pouco, que só serviu para dinamitar o que Azzarello construiu, desenvolvendo novos personagens e recuperando outros de forma absurda, devolvendo a Mulher-Maravilha ao status da continuidade anterior. O único destaque é o desenho  de David Finch, e o resgate de Donna Troy ao título com novos e interessantes poderes.

E que nós vamos encontrar neste primeiro número do Rebirth? Uma transição a uma nova etapa, uma ponte, como todos os números anteriores, só que mais bem desenvolvidos. Rucka é capaz de resumir cinco anos em vinte páginas. E faz de uma forma que esperávamos, mostrando seu sentimento, no que afetou seu passado e quem se tornou neste amadurecimento.

Neste número, Wonder Woman terá que enfrentar a si mesma, aceitando tudo que já lhe ocorreu, sem esquecer quem realmente é.  E isto é um “rebirth” em toda regra. Com tantos reinícios do Universo DC já não sabemos o que é verdade e o que é mentira, nem mesmo a personagem, como a deusa da verdade. E Rucka traça seu argumento nesta edição que traz o one-shot de preparação do Renascimento e o primeiro número, ele entende intuitivamente os elementos que tornam esse personagem tão atraente, e demonstra isso, acentuando as facetas de sua personalidade inerentes à sua criação. Ela é uma heroína empática e simpática, totalmente consciente e responsável com o poder dela, que sempre busca uma solução pacífica para o conflito. E quando, sua imponência é majestosa.

Matthew Clark e Liam Sharp ilustram as páginas, fazendo um bom trabalho, especialmente Sharp que se favorece das cores de Laura Martín. Ambos conseguem mudar o tom da narrativa em concordância com sua arte. O desenho do novo traje é sensacional, especialmente a capa, que dá um toque de liderança e solenidade que antes a personagem não tinha. Rucka, Clark e Sharp abrem com sensibilidade e acredito que será brilhante desta etapa, recomendo a leitura desta abertura ao Renascimento da Mulher-Maravilha, emocionante, emocional e dramático como o filme com a Gal Gadot.