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Livro 'Infinito sobre o peito' dá ao poema os movimentos de uma dança mórfica com as palavras

Não sei, não sei, já dizia Willawa Szymborska. Qual é o teor de um chocolate? Não a substância, mas o baile. Aquele que nos dá uma dança. Um ritmo solto e cheio de nuances, partículas – particulares do afeto entre versos entre estrofes que dosam baladas & trovas. Não sei se médio um medievo mas me parece que este livro tem um tom dos cantares de Hilda de uma certa deliciosa distância? do objeto amado não sendo melosa, mas melodiosa  no ouvir do canto: trovado amado.
Este livro Infinito sobre o peito que trago no leito em noites pagãs da poeta Ana Paula Olivier,  editora Penalux, traz uma tapeçaria na linha minimalista de poesia. Costura com fina manhã tecida à versos madrugadores que apontam para uma poética do fazer sem elã definidor. São poemas que nascem do corpo, de suas tessituras quando a falta ou a marca do amado se faz pegada em tatuagens sutis de convite amoroso.
As frases melódicas se repetem em posições rítmicas pelo poema dando uma total musicalidade à trova. O que poderia prejudicar o excesso de rima soa no texto da poeta de maneira harmônica, dosada estas repetições, um cunho bem ciciante e baladeiro no cantares a letra/verso. Outro recurso que denota sensibilidade em não atravancar o percurso poético são as imagens que dentro da estrutura do verso livre que a poeta canciona dão uma afetividade maior ao desenho imagético do poema.
O corpo e seus traços na memória afetiva da poeta, tecendo uma costura das suas leituras como leitora de poesia. É interessante liame, de como a literatura é parte das experiências do corpo que vira um signo de leitura tanto do amado quanto da semiótica de interpretar tanto códigos linguísticos, quanto da espessura do mundo e suas latências quando nossos olhos pousam nas suas dobras. A vida seria, modo, como dizia Perec, ou  labor? De fiar os fios soltos ou perdidos pelo labirinto do real que são produtos de deixar vestígios-pistas no campo do corpo – marcação das lembranças.

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