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A embriaguez poética de Eu me chamo Antônio

Eu me chamo Antônio

Tive uma tremenda frustração quando cheguei à livraria e peguei Antônio pelas mãos. Não pela roupa que ele vestia, até porque inicialmente ela pode me atrair, mas ao fim do flerte é a ausência dela que excita, e o que prevalece mesmo é o que está escondido lá dentro (…)
O motivo real do meu choque anafilático em plena livraria foi os guardanapos. Fui na ânsia da prosa e me deparei com a embriaguez da poesia.

Sabe lá o porquê imaginei – como nós estamos acostumados a fazer quando ouvimos falar de alguém – que o livro fosse uma daquelas típicas narrativas cheia de capítulos, longínquos parágrafos e muitas páginas.

Continuei a folheá-las(…) Fui percorrendo cada traço, lendo cada desenho, virando à esquerda, à direita, para decifrar cada mensagem contida e explicitada nos guardanapos do Café Lamas.
– Comprei!

Pedro Gabriel – o pai de Antônio – apresenta seu alter ego como o personagem de um romance que ainda vai ser escrito. A existência do personagem antes mesmo da narrativa contextual da qual ele faz parte, é propositalmente inserida na sua trajetória boemia. O romance na verdade é um epilogo que só vai ganhar vida após nossa leitura. E não será escrito no papel. A tabula de registro será nossa própria mente. Cada gole de alegria, cada doze de tristeza, cada porre de desilusão, um engradado de memórias.
A subjetividade do registro noturno faz com que Antônio seja um pseudônimo de cada um de nós leitores, e apreciadores dos devaneios que só a noite, a mesa de um bar, um chope e um guardanapo nos faz ter.
…
Dos inúmeros guardanapos, separei cinco que me fizeram dar vários goles e ser o último a sair do bar.
“Passei da mágoa para o vinho”. // página 12 //
– Só não sei ao certo se é mais mágoa ou mais vinho.
“Sonhe alto. O máximo que pode acontecer é você realizar um sonho à altura” // página 20 //
– Nasci com esse mantra tatuado na bunda.
“Grandes amores são grande dúvidas. Não vivê-los é morrer com grandes dívidas. Eu digo que amo com a mais absoluta incerteza.” // página 42-43 //
– Devo! Duvido! Amo!
“Na dança do amor: Dor pra lá, dor pra cá” // página 51 //
– … E um faz calo no pé do outro.
“Você chegou maçã e salva. Agora podemos pecar em qualquer paraíso”. // página 138 //
– À tentação!

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