Irina, monólogo com texto e atuação de Raquel Iantas, que, além disso, assina a direção ao lado de Mariah Valeiras, reúne histórias pessoais da infância da atriz/histórias da personagem Irina no Paraná – narrativas em que se misturam realidade e ficção –  separadas em 9 seções divididas por marcas sonoras com títulos, como se fossem capítulos de um texto escrito.

Sozinha no centro do palco, sentada em um banco de madeira baixo, Raquel Iantas percorre essas histórias carregadas de afetos e emoções e que compõem certa linha cronológica até o desfecho de uma fase importante da vida da personagem, indicando o início de uma grande mudança. Segundo o programa da peça, houve colaboração artística de Aderbal Freire-Filho, Eleonora Fabião, que assinalou “a superação da dicotomia ficção vs. realidade quando o que está em questão é o entrelaçamento, ou ainda a indissociabilidade entre memória, imaginação e atualidade”, Bruno Lara Resende e Marcio Abreu.

Apesar de uma boa estruturação da ordem como as histórias se apresentam ao público, senti falta de mais dramaturgia no espetáculo. O fato de a atriz permanecer os quase 60 minutos sentada no mesmo banco, com poucos movimentos diferenciados, aproximou a proposta de uma leitura de contadora de histórias mais do que de um espetáculo dramatúrgico. Mesmo que a opção tenha sido por certo minimalismo de movimentos, tentativa que faço para buscar compreender (com os erros que isso implica, no meu caso) as decisões quanto ao tratamento dramatúrgico dado ao texto, acredito que, para um monólogo com o formato aqui escolhido, tal opção pode facilitar certa dispersão do espectador em relação àquilo que está sendo narrado no palco, dificultando o envolvimento com a proposta. Aliás, talvez esse tenha sido o maior problema: um espetáculo que se caracteriza por se aproximar mais da narração do que da dramatização.

Nesse sentido, coube à iluminação assinada por Rodrigo Portella e à trilha sonora de Tato Taborda preencher as lacunas deixadas pelo espetáculo.

FICHA TÉCNICA

Texto e atuação – Raquel Iantas
Direção – Mariah Valeiras e Raquel Iantas
Colaboração artística – Aderbal Freire Filho, Bruno Lara Resende, Eleonora Fabião, Marcio Abreu
Direção de movimento – Marcia Rubin
Iluminação – Rodrigo Portella
Direção de arte e figurino – Domingos Alcântara
Trilha sonora – Tato Taborda
Projeto Gráfico – Bruno Bastos e Caetana Lara Resende
Fotografias – Guga Melgar
Assessoria de imprensa – Daniella Cavalcanti
Equipe de Produção – Alex Nunes, Ana Casalli e Nathalia Pinho
Produção Executiva – Maria Albergaria
Direção de Produção – Sérgio Saboya e Silvio Batistela
Produção – Brotto Produções e Galharufa Produções Culturais

SERVIÇO

Sinopse: nove histórias, narradas com autenticidade: da menina solitária e imaginativa de uma família operária, à adolescente curiosa e insegura, que se torna a artista corajosa e livre.
Temporada: de 05 a 29 de outubro de 2017
Local: Mezanino do Sesc Copacabana (Rua Domingos, Ferreira, 160 – Copacabana)
Horário: 1ª semana, de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h
A partir da 2ª semana, de quarta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h
Ingressos: R$7,50 (associado do Sesc), R$15,00 (meia), R$30,00 (inteira)
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ
Informações: (21) 2547-0156
Bilheteria – Horário de funcionamento:
Segundas – de 9h às 16h;
Terça a Sexta – de 9h às 21h;
Sábados – de 13h às 21h;
Domingos – de 13h às 20h.
Capacidade: 70 lugares
Duração: 70 minutos
Classificação: 12 anos
Gênero: memória romanceada

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