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Scythe: para abrir nossa mesa de jogos de tabuleiro

Os jogos de tabuleiro ou boardgames evoluíram em muito. Daqueles jogos envolvendo simulação como War, Banco Imobiliário (Monopoly) e Jogo da Vida ou imaginativos como o Imagem & Ação, com um tabuleiro fechado e método de jogo linear, chegamos ao boardgame moderno, com maior diversidade de temas e de jogabilidades interessantes e complexas.

São jogos caracterizados por uma mecânica de jogo que não dependesse da sorte, para vencer a partida, com ações mais impactantes e decisivas do que a sorte, que envolve estratégia, conhecimento e regras. Para um primeiro boardgame a ser resenhado, escolhemos Scythe, lançado por aqui pela Ludofy Creative/Galápagos.

Descrição

O cenário de Scythe é numa realidade alternativa nos anos 1920, a Europa não é a mesma, se tornou um lugar nebuloso. Alguns anos após uma guerra devastadora, as nações começam a se recuperar econômicamente. Sobras do tempo de guerra, grandes mechs se espalham pelo campo. Muitos permanecem operacionais, sendo reaproveitados para fins pacíficos de agricultura e transporte. Mas a paz não vai durar muito, enquanto as nações lutam pela reconstrução, também começam a disputar território e recursos.

Esquecida no meio da névoa mais profunda, uma fábrica misteriosa aguarda, contendo tecnologia que promete poder para aqueles que reivindicá-la. Em Scythe, assumimos o controle de uma dessas nações, e quem trazer mais prosperidade para sua nação, custe o que custar, emergirá como o vencedor e provavelmente o poder dominante na Europa dos anos 1920.

Análise

Scythe foi originalmente lançado no Kickstarter e recebeu muita atenção durante sua campanha e o seu lançamento no varejo. Produzido pela Stonemaier Games, uma editora que já apresentou os populares Euphoria e Viticulture, Scythe foi um sucesso instantâneo, tornando-se um dos jogos mais bem financiados de 2015. Redefinindo a qualidade da produção na indústria de jogos de tabuleiro, sendo o primeiro a lançar atualizações e metas estendidas, além de versão premium, uma influência foi vista refletida em muitos jogos produzidos desde então.

O editor e desenvolvedor Jamey Stegmaier se comprometeu na base, para com a comunidade de jogos de tabuleiro, em estar constantemente envolvido nas discussões da comunidade. Onde muitos outros jogos são lançados e deixados estagnados, não há dúvida de que Scythe é um jogo que recebe suporte e desenvolvimento contínuos.

Mas o que seria Scythe? Temos um jogo de tabuleiro que resgata o básico do War e molda games como Civilization, Age of Empire e Command & Conquer para compor uma narrativa alternativa dos anos 1920, e com miniaturas bem trabalhadas e um visual incrível.

Jogabilidade

Scythe é um jogo de seleção de ação, com gestão de mão, negociação, controle/influência de área, que combina um mundo temático com movimento em grades e permite que os jogadores interajam entre si por meio de um mapa. O objetivo é ser o jogador que acumule mais riquezas, com o dinheiro do jogo (que é gasto para realizar algumas ações) sendo contado no final como pontos.

Os jogadores trabalham como indivíduos para levar seu país à vitória conquistando o território, recrutando novos moradores e tropas (cada um com um único nome, história e habilidades), colhendo recursos (que permanecem no mapa, chamando a atenção dos oponentes para determinadas áreas onde os jogadores estocam estes recursos), e construindo máquinas monstruosas.

Os objetivos são variáveis, desde implantar todos os seus Mechs, vencer combates ou construir todos os 4 de seus edifícios, para dar alguns exemplos. Um jogador que completar o sexto objetivo (de uma variedade de 10), terminará imediatamente o jogo, momento em que o dinheiro é contado para ver quem ganha.

Por sua vez, o jogador escolherá uma das quatro ações disponíveis para realizar: explorar, expandir, produzir e exterminar. Por meio de rodadas de suas ações disponíveis, os jogadores irão gerar recursos e ganhar dinheiro. Eles vão se espalhar no tabuleiro e, possivelmente, lutar contra outros jogadores. O jogador na melhor posição quando o jogo terminar (aquele que tiver a maior pontuação) será o vencedor, e é interessante notar que o jogador que inicia o jogo final não se torna necessariamente o vencedor.

Com um tabuleiro principal, o boardgame também possui um mapa dessa realidade europeia, um mini-tabuleiro para suas ações e as características de sua facção, como força, pontos de vitória, etc. Cada uma delas tem suas particularidades, bem balanceadas, mesclando realidade e ficção. Cada nação, vem acompanhada de um animal, o Reino Nórdico, com Bjorn & Mox (um bisão); o Império Saxônico, com Gunter von Duisburg & Nacht e Tag e seu lobo; Olga Romanova & Changa, o estereótipo de russa com um tigre pela União Rosviética; a República da Polônia, com Anna & Wojtek com seu carismático urso; e por fim a primogênita filha do Khan, Zehra & Kar representando o Khanato Criméico com sua águia.

Análise

A versão brasileira que jogamos é da Galápagos e podemos classificar que Scythe é um jogo um pouco difícil de ensinar. Tem muitos conceitos ‘diferentes’ nele. É realmente um daqueles jogos em que, depois de jogar algumas rodadas, faz sentido, mas não dá para ficar confortável em começar uma mesa com jogadores novos e experientes.

As mecânicas são simples, mas exige muita atenção e raciocínio, pelo planejamento pela estratégia para conquistar os objetivos propostos para tornar aquela nação que você representa como dona do mapa da Europa e campeã do jogo.

Seu design gráfico é bem claro e pensado, a arte temática, as incríveis peças de madeira e resina e as miniaturas de plástico detalhadas transformam o jogo em uma experiência altamente envolvente. Seu desempenho sempre é melhor com estratégias de longo prazo, combinando ações para um jogo que seja relativamente rápido em comparação com outros dos jogos de estratégia pesada, mas uma vez que Scythe está rolando, a ação não desacelera até que um jogador atinja as seis estrelas – fazendo o jogo acabar.

Scythe é uma criação rara, atingindo o equilíbrio perfeito entre profundidade e acessibilidade, estilo e substância, e diversão e desafio. É um jogo de conceito 4X; notável pois requer relativamente pouco investimento de tempo ou esforço e serve como um exemplo de como destilar o melhor que o jogo de mesa tem a oferecer em um pacote que quase qualquer pessoa pode desfrutar.

Um fenômeno, Scythe é profundo sem ser laborioso, estiloso e divertido sem ser vazio e complexo sem ser inacessível. A arte de Jakub Rozalski é belíssima, seu mundo é confiantemente construído numa atmosfera crível, enquanto o design de Jamey Stegmaier é polido com o brilho de um cockpit de um mecânico. Não é apenas um dos melhores jogos dos últimos anos, é uma das melhores criações de mesa em décadas.

Nota: Épico 5 de 5 estrelas

Scythe: para abrir nossa mesa de jogos de tabuleiro
5 / 5 Crítico
Avaliação

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