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"Sense8" entre a força política e fragilidade artística

Toda obra é política? Eis a questão. Mas para além disso, existem as obras que se propõem discursivas, mas não são nada além de um panfleto. E, sim, estamos falando de Sense8. Cancelada devido aos altos custos de produção pela Netflix e resgatada após comoção dos (muitos) fãs, como um episódio final de cerca de duas horas e meia intitulado “Amor vincit omnia”, a série sempre foi marcada pela forte diversidade de seu elenco em suas representações. Isso sempre foi o mais legítimo aqui. Entretanto sua engenhosa trama se mostrou frouxa desde a primeira temporada. E, num episódio que se propôs a encerrar a história, as criadoras Lilly e Lana Wachowski parecem não saber lidar muito com o que criaram.
Como todo mundo já sabe, a trama mostra a vida de um grupo de oito pessoas que compartilham seus pensamentos, sensações físicas e até mesmo habilidades. Juntos, eles são chamados de sensates e vivem em um grupo chamado cluster, com espécies de seres humanos diferentes e evoluídas, o futuro da nossa sociedade.
Após terem capturado Sussuros (final do último episódio), os sensates precisam encontrar uma forma de recuperar Wolfgang (Max Riemelt), que foi capturado pela misteriosa OPB. Juntos, eles também precisam compreender os objetivos do algoz, ligar os pontos soltos do passado vivido por Jonas (Naveen Andrews)e Angelica (Daryl Hannah), e descobrir como parar essa organização.

O roteiro é confuso, com pontas soltas e muito diálogo ruim (isso é muito Sense8), sem contar as frequentes facilitações da narrativa (deus ex machina). Assim, muitas subtramas dos próprios protagonistas se diluíram de forma banal – o personagem Capheus (Toby Onwumerepor exemplo, virou apenas uma espécie de bobo da corte do grupo. Por outro lado, o discurso de diversidade sempre foi mais forte que a própria história irregular. Nisso a série se debruçou com empenho. Tanto que se firmou em cima desse panorama próprio. Mas uma história é muito mais que uma grande suruba de liberdade sexual e comportamental.
Sense8, no fim, se resumia a isso. Um pouco por isso seu encerramento não é de todo lamentável. Estava mesmo na hora. As Wachowski queriam promover a diversidade do mundo em suas obras. A questão é que, antes de ser política, a série é uma obra artística. Pena que os criadores preferiram privilegiar a questão voyeurística do discurso, deixando Sense8 até bem bonitinha, mas ainda mais ordinária.

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