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"A Maldição da Chorona" não acrescenta nada de relevante ao universo de "Invocação do Mal"

Depois de vários filmes que conquistaram os fãs do terror e boa parte da crítica, era inevitável que a franquia gerada a partir do grande sucesso de “Invocação do Mal” começasse a apresentar sinais de fadiga. Primeiro foi com muito aguardado “A Freira” , que apesar de ter feito bonito nas bilheterias, acabou se revelando decepcionante e fazendo muitos temer pelo futuro deste universo gerenciado pelo novo Midas de Hollywood, James Wan.

Infelizmente, a coisa acabou se agravando com o mais recente longa da série, “A Maldição da Chorona” (“The Curse of La Llorona”, EUA, 2019), que tenta incorporar uma lenda latina para a sua galeria de seres assustadores, mas não consegue sair do lugar comum. Com impacto zero, a produção termina sem se diferenciar de outros filmes genéricos que são lançados aos montes a cada ano.

Após um breve prólogo ambientado no século XVI, a trama avança para a Los Angeles de 1973, onde vive a viúva e assistente social Anna Tate-Garcia (Linda Cardellini), com os dois filhos Chris (Roman Christou) e Samantha (Jaynee-Lynne Kinchen). Ao lidar com uma denúncia de maus tratos, Anna vai até a casa de Patricia Alvarez (Patricia Velasquez), suspeita de abuso infantil. Ao chegar lá, ela desobedece o pedido de Patricia e abre uma porta que deveria estar trancada. A partir daí, os filhos de Anna passam a ser perseguidos por uma misteriosa mulher, toda vestida de branco e que sempre está chorando.

Em busca de respostas, Anna descobre que o caso pode estar relacionado a uma entidade sobrenatural conhecida como A Chorona, uma lenda mexicana a respeito de uma mulher que matou os filhos e, depois de morrer, procura outras crianças para substituir as que perdeu. Desesperada com a situação, Anna decide pedir ajuda a Rafael Olvera (Raymond Cruz), um ex-padre que se tornou um curandeiro e especialista em ocultismo. Os dois, então, unem forças para evitar que a perigosa mulher consiga seu objetivo e leve as crianças para o além.

Um bom filme de terror deve saber como criar um clima de mistério que seja capaz de intrigar e, claro, provocar medo. O problema é que “A Maldição da Chorona” não consegue fazer isso em nenhum momento. O diretor Michael Chaves parece estar muito mais preocupado em rechear suas cenas com os famigerados “jump scares” do que em desenvolver sequências realmente assustadoras e impactantes, ao contrário de James Wan ou David F. Sandberg, responsáveis pelos melhores momentos deste universo, com “Invocação do Mal” 1 e 2 e “Annabelle 2: A Criação do Mal”, respectivamente.

Além disso, o cineasta comete o pecado de “telegrafar” para o público o que vai acontecer em determinados momentos, gerando um desconfortável anticlímax que tira a surpresa, algo necessário para que as coisas funcionem num filme de terror. Claro que há uma ou outra cena, como a que envolve uma banheira, que consegue o seu objetivo de prender a atenção. Mas não há nada de muito diferente do que já foi visto antes. E bem melhor.

Outro problema do filme está no roteiro escrito por Mikki Daughtry e Tobias Iaconis, que nunca consegue se aprofundar na questão da lenda da Chorona, transformando a personagem numa espécie de Samara (de “O Chamado”) mexicana e mais velha, misturada com Medeia, personagem clássica da tragédia grega. Isso sem falar no excesso de clichês e lugares-comuns que nada acrescentam e deixam a impressão de que a trama foi requentada até demais.

Pelo menos os (poucos) momentos de comédia estão no tom certo e fazem rir de maneira honesta, o que não aconteceu em “A Freira” e foi apontado por muitos um dos pontos mais fracos daquele filme. Vale também destacar a volta do padre Perez, visto no primeiro “Annabelle”, e interpretado pelo mesmo ator, Tony Amendola, e serve para conectar o filme ao universo desenvolvido por Wan, num dos bons momentos da história.

No elenco apenas esforçado, o destaque vai para Linda Cardellini. A Velma dos dois primeiros live-action do “Scooby-Doo” (tem até uma interessante referência ao desenho clássico no filme) dá uma certa dignidade a Anna e convence como uma mãe forte e dedicada aos filhos, que precisa lutar por eles a qualquer custo. Raymond Cruz até diverte com sua mistura de seriedade e descontração, mas é prejudicado por falhas na direção e no roteiro, que o colocam tomando atitudes que fazem questionar a sua inteligência.

Os meninos Roman Christou e Jaynee-Lynne Kinchen não chegam a se destacar, mas também não comprometem. Já Patricia Velasquez, mais conhecida por ser Anck-Su-Namun em “A Múmia” e sua sequência, surpreende mais por seu visual desglamorizado do que convencer a respeito da insanidade ou mistério de sua personagem. Nem Marisol Ramirez, a Chorona em pessoa, faz algo além do regular e não chega a provocar o medo necessário para tornar a entidade como algo a ser lembrado por todos.

No fim das contas, “A Maldição da Chorona” se revela um dos mais fracos episódios do universo de “Invocação do Mal” e apenas as pessoas que se impressionam facilmente podem se chocar com o que aparece na telona. Mas quem é realmente fã do gênero pode até chorar, mas de raiva, pela sensação de tempo perdido. Resta esperar que as terceiras partes de “Annabelle” e “Invocação do Mal” (que será dirigida pelo mesmo Michael Chaves) tenham resultados melhores e mantenham a franquia no caminho certo. Porque se continuar deste jeito, o futuro será mais sombrio e assustador para a série do que qualquer fantasma que aparecer.

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