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Almodóvar “viaja” no escracho em “Os Amantes Passageiros”

Depois de chocar o público com o surpreendente suspense “A pele que habito”, de 2011, o espanhol Pedro Almodóvar volta a fazer uma comédia provocadora com “Os amantes passageiros” (“Los amantes pasajeros”). O resultado, embora não chegue à excelência de filmes como “Mulheres à beira de um ataque de nervos”, pode divertir aos fãs do cineasta espanhol além daqueles que não se constrangem facilmente.

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A história (escrita pelo próprio Almodóvar) começa quando León (Antonio Banderas), preocupado com sua amada Jessica (Penélope Cruz), comete um erro que deixa um avião que vai da Espanha para o México com problemas em pleno voo. Para evitar o pânico geral, os passageiros da classe econômica são sedados e os comissários de bordo, liderados por J0serra (Javier Cámara, visto em “Fale com ela” “Má educação”) tentam acalmar quem está na área executiva.
Enquanto os pilotos tentam encontrar uma pista para fazer um pouso de emergência, tripulantes e os passageiros restantes fazem diversas confissões sobre seus bizarros segredos, que incluem questões com homossexualismo, drogas, sexo selvagem e até virgindade, o que acaba gerando algumas cenas controversas. Do jeito que Almodóvar gosta de fazer.

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O principal problema com “Os amantes passageiros” é que, mesmo voltando a tratar de um universo que conhece muito bem, o diretor não consegue um resultado realmente satisfatório em todo filme. Há bons momentos na produção, como as cenas com diálogos mordazes entre os comissários de bordo, mas há outras dispensáveis, como as que envolvem o ator Ricardo Galán (Guillermo Toledo) e as duas mulheres de sua vida, Alba (Paz Vega) e Ruth (a bela Blanca Suaréz), que não fazem nenhuma falta à trama. Além disso, algumas sequências são até divertidas, mas não são totalmente engraçadas, como a que Joserra e seus colegas fazem uma performance para os passageiros ao som de “I’m so excited”, sucesso dos anos 80 do grupo The Pointer Sisters.

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Quem for ao cinema atraído pelos nomes dos astros Antonio Banderas e Penélope Cruz pode ficar decepcionado porque os dois só aparecem numa cena, no início do filme. Mas Almodóvar conta com um excelente elenco em suas mãos, que tem também a ótima Cecilia Roth, protagonista do sensacional “Tudo sobre minha mãe” que interpreta Norma, uma dominatrix que é chefe de um serviço de acompanhantes.
No fim das contas, o espectador sai do cinema após “Os amantes passageiros” com um sorriso amarelo no rosto, mas que desaparece meia hora depois, porque o filme não chega a ser memorável, como algumas outras produções do cineasta espanhol.

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Publicação Célio Silva