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"Cafarnaum": sua verdade é o seu sentido

O cinema e o olhar infantil. Geralmente, e especialmente fora dos holofotes hollywoodianos, o veículo e a perspectiva rendem filmes mais humanamente amplos. O cinema iraniano que o diga. Indicado ao Oscar de melhor Filme Estrangeiro nesse ano (apesar de não ter força diante do rolo compressor mexicano chamado Roma), Cafarnaum é o novo filme da diretora Nadine Labaki, também responsável pelo roteiro. Zain (Zain Al Rafeea) parece ter menos que seus 12 anos fisicamente, e muito mais que isso pela carga cotidiana que encara dentro de seu seio familiar despedaçado.

Preso e condenado como adulto por ter cometido um crime violento, a criança nem sequer foi registrada, e, inusitadamente, está processando os pais por tê-lo posto no mundo. Labaki parte dessa pequena e dramática premissa para se valer do ponto de vista dele e falar sobre o desamparo e a bravura que o gravitam.

"Cafarnaum": sua verdade é o seu sentido | Críticas | Revista Ambrosia

O viés realista que a diretora imprime na direção – o uso do som é primordial para tal – agrega uma urgência que suplanta a (pura) estética e se nivela como comentário social ao construir uma adensada relação afetiva entre seu protagonista e uma imigrante ilegal etíope, Rahil (Yordanos Shiferaw) e seu bebê, numa curva dramática implacável no roteiro.

Por mais que a diretora não poupe o espectador na dureza com que olha sobre seus indivíduos, a verdade sobressai muito mais que qualquer lampejo de pura estilização. Assim, o filme é o próprio sentido do seu discurso. Aquele sentido latente no encontro entre o cinema e o olhar infantil. Na belíssima última cena, mais do que emocionados, estamos rendidos.   [rwp_box id=”0″]

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Publicação Renan de Andrade