Ambrosia Críticas "Clímax", a intempestiva jornada de Gaspar Noé

"Clímax", a intempestiva jornada de Gaspar Noé

“A vida é uma impossibilidade coletiva”
É dessa frase, que aparece no ápice do filme, que reside a essência de “Clímax”, novo filme de Gaspar Noé, para além de seus extremos. A premissa do filme é bem sucinta. Só a premissa é assim na história toda. Uma trupe de dançarinos jovens está fazendo uma festa pós-ensaio que começa a se tornar desagradável quando percebem que alguém batizou o ponche com LSD.
Noé faz parte um movimento cinegráfico chamado New French Extremity, que como o nome mesmo diz, investe numa narrativa mais extremada do universo que chafurda. Seu cinema sempre foi isso, ou seja, elevando ao paroxismo sua fetichização. “Clímax” é uma viagem enlouquecedora na paranoia que esses bailarinos entram diante dos efeitos que estão sentindo. A câmera os observa com sadismo. O roteiro consegue traçar as personalidades sob a imersão catastrófica que a festa se transforma.

Gaspar se vale muito da precisão fluente dos planos-sequência e dos diálogos espontâneos que estimula a observação do coletivo pela perspectiva diversa de cada indivíduo ali, essa é a grande sustentação dramática da trama. Por isso, “Climax” é tão melhor que seus filmes anteriores, cujo prisma se esvai em fetichismos vis.
A fotografia de cores berrantes e por vezes claustrofóbica, muito usada nos filmes dele, está lá, demarcando sua linguagem. É uma experiência (quase desagradável) essa jornada. Mas se estiver disposto, vale muito a pena. Gaspar joga o juízo de valor no nosso colo. Ele é o que é. Seu filme também. A vida, sob esses parâmetros, também?
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