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Comédia dramática francesa “Mentes Extraordinárias” é convite à inclusão e à reflexão

Comédia dramática francesa “Mentes Extraordinárias” é convite à inclusão e à reflexão | Críticas | Revista Ambrosia

Em 18 de maio foi celebrado o Dia Mundial da Conscientização sobre a Acessibilidade. É mais uma data não de comemoração, mas de luta, das pessoas com deficiência em busca da inclusão. Inclusão e acessibilidade são coisas sérias, tanto é que se tornaram termos para discussão em diversas áreas, inclusive no cinema. Algo impensável na Era de Ouro do cinema – que não foi “de ouro” para todos os indivíduos, só os que se encaixavam em um padrão – agora surgem filmes protagonizados por pessoas com deficiência, como a produção francesa Mentes Extraordinárias.

Louis (Bernard Campan) é agente funerário. Igor (Alexandre Jollien) é um homem com deficiência que trabalha entregando vegetais. Os caminhos deles se cruzam quando Louis quase atropela Igor. O entregador de vegetais fica levemente ferido, mas Louis faz questão de acompanhá-lo até o hospital, embora esteja muito ocupado.

No dia seguinte, Igor visita Louis no trabalho para levar-lhe um presente de agradecimento, e acaba entrando no carro funerário que Louis vai levar de Lausanne, na Suíça, até Montpellier, no sul da França. Lembra aquela máxima d’ “O Pequeno Príncipe”, que tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas? Bem, Louis cativou Igor, e agora deve levá-lo consigo até o destino final.

Comédia dramática francesa “Mentes Extraordinárias” é convite à inclusão e à reflexão | Críticas | Revista Ambrosia

No caminho, Louis dá carona também para Cathy (Tiphaine Daviot). Junto com os três vivos vão o corpo da senhora Lascaux e as cinzas do filho dela. No caminho, descobrirão muito um sobre o outro, sobre si mesmos e, ironicamente para quem viaja num carro funerário, sobre a vida.

Igor é apaixonado por filosofia, e vive citando filósofos e seus pensamentos. São pílulas de sabedoria vindas de onde menos se espera, e sempre muito bem-vindas. Igor tem um pensamento filosófico perfeito para cada situação, e assim inspira, inesperadamente, Louis, que está submerso em uma missão silenciosa.

Alexandre Jollien, intérprete de Igor que também assina a direção e o roteiro com Bernard Campan, é também apaixonado por filosofia. Entre 1999 e 2019 escreveu e publicou nove livros sobre o tema e em 2007 colaborou com o roteiro do filme “La Face Cachée”, também dirigido por Campan.

Comédia dramática francesa “Mentes Extraordinárias” é convite à inclusão e à reflexão | Críticas | Revista Ambrosia

Igor quer ser independente, diz ele em uma conversa com a mãe, e é na viagem com Louis que ele exercita esta independência. Louis nunca o trata como frágil ou diferente ou mesmo nojento, como Igor era tratado num instituto onde passava seus dias na infância.

O cinema francês está cheio de opostos que se atraem – e não estamos falando aqui do filme em que Omar Sy e Laurent Lafitte interpretam dois policiais e que acabou de ganhar uma continuação. Por seus personagens, Mentes Extraordinárias evoca o megassucesso Os Intocáveis (2011), com a diferença crucial de que o personagem com deficiência de Os Intocáveis não foi interpretado por um ator com deficiência.

Um ponto fraco de Mentes Extraordinárias é a construção das personagens femininas. Elas não são personagens complexas – a mãe de Igor sequer tem nome – e aparecem muito brevemente na trama. Quando Cathy surge para pegar carona, pensamos que ela se integrará à dupla, mas logo ela desaparece: é uma viagem de homens, de “brothers” – ou de “fréres”, para ser mais exata.

Comédia dramática francesa “Mentes Extraordinárias” é convite à inclusão e à reflexão | Críticas | Revista Ambrosia

Distribuído com uma frase filosófica como subtítulo – “Não se nasce homem, torna-se um”, atribuída a Erasmo de Roterdã – Mentes Extraordinárias é mais que um feel-good movie: bebendo da fonte da filosofia, é um convite à reflexão, por uma pessoa que aprendeu tudo nos livros e se esqueceu de viver no meio do caminho. Este é Igor, mas este também é Louis. E este talvez seja você também. Porque o que é viver se não aprender com o outro?

Nota: Bom – 3 de 5 estrelas

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3 / 5 Crítico
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