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Crítica: "O Ciúme" num delicioso preto e branco fala da arte de estar junto

O filme o “Ciúme” do diretor francês Philippe Garrel, não é um filme violento. Não exclusivamente na estética, tem ritmo pausado, contemplativo, e nem muito menos na estória contada, embora as pessoas que assistiram comigo perguntaram-se na saída do cinema, mas cadê o ciúme deste filme? Escolher uma palavra e pensar tangencialmente nela ao escolher falar sobre… é uma arte dos artesãos. São artes que mimetizam a fala direta, dizendo ou escolhendo temas vizinhos que emolduram a tal proposta. Mas o que Philippe Garrel estava a narrar em seus 77 sóbrios minutos num belíssimo preto & branco?
Arte dos encontros e das suas possibilidades efetivas & afetivas. Do que se enquadra numa relação onde o amor é um locatário possessivo que não gosta de espaços alternativos – nas imagens do diretor francês vemos a aproximação física dos corpos, abraços, beijos, e diga se muito bem filmado como uma perfeita escolha da canção que traceja os momentos mais tocantes. A certa cena, um personagem diz que não devemos indagar ou questionar a maneira de se amar da outra(o) que está conosco. Por que vem com seus bloqueios, travas emocionais, impedimentos poéticos que por mais que se ame, há uma ferida aguerrida que nos interdita um pouco.
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Filmado sempre de perto, há um frescor em cada cena de afeto entre o jovem ator de teatro (Louis Garrel) e sua mulher que é atriz, mas não consegue achar trabalho. O roteiro prioriza os pormenores das significâncias amorosas através de falas sempre poéticas e não invasivas onde a palavra de quem poetisa chegue por desvios ao outro e não a perturbe ou invada seu espaço. A personagem da atriz Anna Mouglalis pede sempre um pouco mais de seu amor como uma reintegração de posse do objeto amado ao seu foco – tipo “quero um lugar melhor para morar, sinto-me sufocada neste aperto” (ciúme?). Ele a entende, mas não (a) compreende que o amor não seja apenas ele próprio a chama do estar junto.

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