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Crítica: "Trinta" e o que havia na gênese do homem e o (seu) luxo

Trinta não é exatamente uma cinebiografia do incensado carnavalesco Joãozinho Trinta. É um recorte da passagem seminal do artista pelo carnaval, que definiria todo a trajetória até a sua morte, em dezembro de 2011.
O longa acompanha o carnavalesco em sua chegada ao Rio de Janeiro, e amplamente, seu primeiro desfile como titular numa escola de samba. Essa opção do diretor Paulo Machline se mostra assertiva por denotar claramente o diferencial de Trinta:  um preciosismo que visava o luxo, afinal, como bem gostava de dizer: “quem gosta de miséria é intelectual!“. Esse lema parece ter norteado toda a sua sina. E o filme se restringe a esse ponto de partida.
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Matheus Nachtergaele, conhecido pela imersão que imprime em suas atuações, conheceu o carnavalesco pouco dele falecer, e empreendeu uma amizade que parece refletir na sua composição. Há uma espécie de constante perturbação artística que permeia o Joãozinho de Matheus. Essa incorporação é muito detalhada pela fotografia que o desenha de acordo com suas circunstâncias. Obscura na solidão do criador. Vivaz (com a sobriedade do sépia) diante do carnaval que o “consome”. O roteiro dinamiza essa trajetória e se exime de riscos. O que não é um problema num âmbito mais geral.
Trinta é um filme competente ao que se propõe. Entender a gênese de um mito é difícil, e o longa de Machline, consegue a contento. Sem grandes arroubos estéticos ou dramatúrgicos, mas retratando a alma inventiva e extravagante de um carnavalesco que fazia do luxo sua dignidade no cultura popular brasileira.

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