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Deixe-me Entrar

Deixe-me Entrar | Filmes | Revista AmbrosiaHollywood nunca se preocupou em justificar seus remakes de filmes estrangeiros (de sucesso ou não), mas uma verdadeira onda de refilmagens tem invadido os cinemas norte-americanos – e do resto do mundo, por consequência – na última década. Quase que invariavelmente, os filmes originais são reduzidos à reinterpretações confusas e sem graça, mas também é bastante comum que o material-base escolhido seja de gosto duvidoso, como é o caso das muitas comédias francesas traduzidas para o inglês recentemente. Os sucessos de crítica e bilheteria são raros e a cada notícia sobre remakes de filmes queridos pelo público cinéfilo, uma onda de indignação toma conta da internet – quase sempre com razão.

Deixe-me Entrar | Filmes | Revista AmbrosiaNo meio de tudo isso, temos Deixe-me Entrar, remake do drama vampiresco sueco de 2008, Deixe Ela Entrar – um hit instantâneo entre os cinéfilos e fãs das histórias de vampiros sem purpurina. Ambos os longas tem praticamente a mesma história: Owen é um garoto bastante solitário numa cidade gélida e pouco convidativa. Filho de pais divorciados, ele não é nada sociável e sofre com bullying na escola. Um dia, enquanto continua com sua rotina de fazer qualquer coisa para ficar fora de casa, conhece Abby, uma garota de sua idade que aparenta estar tão ou mais deslocada do que ele. Além disso, ela anda descalça e só aparece à noite. Deste encontro floresce uma amizade que precisará amadurecer rapidamente, por conta da condição de Abby, uma vampira eternamente presa ao corpo de uma garota, que precisa da ajuda de um senhor de idade para conseguir seu precioso e único alimento – sangue.

Deixe-me Entrar | Filmes | Revista AmbrosiaDe maneira geral, os filmes são bastante parecidos, em tom e na história, até mesmo com algumas sequências idênticas, mas as pequenas diferenças entre ambos diz muito sobre seus diretores e o país onde foram produzidos. Enquanto o filme original preza pela sutileza nas ações e nos sentimentos, a refilmagem aposta mais em ação, sangue e na puberdade. Se no original a história tinha várias lacunas e alguns dos personagens tinham inclinações um tanto duvidosas, na refilmagem tudo é perfeitamente explicado e os personagens principais tem o sentimentos como impulso principal. Há, também, certos maneirismos (para não dizer clichês) de filmes de terror e suspense que parecem um tanto deslocados aqui. A impressão que fica é de que o espectador que ainda não assistiu ao filme sueco terá muito mais prazer com essa nova versão, por ser realmente um filme redondo, interessante e sem muitas falhas. Seu único inimigo é o material-base, um filme sólido, original e impecável.

Deixe-me Entrar | Filmes | Revista AmbrosiaPorém, mesmo para aqueles que torcem o nariz para as refilmagens e não querem ver um de seus filmes preferidos nas mãos de produtores que só pensam na bilheteria do fime de semana de abertura, há atrativos suficentes em Deixe-me Entrar para valer o dinheiro do ingresso. Se Matt Reeves – diretor do chato Cloverfield – aposta numa trama mais movimentada, com efeitos especiais e belas cenas sanguinárias, é por que ele sabe muito bem o que está fazendo. A cena do acidente de automóvel, por exemplo, é filmada com a competência que poucos diretores tem. Outro ponto que conta à favor do filme é seu elenco, um excelente trabalho de casting, com Elias Koteas, Richard Jenkins e as incrível Chloe Moretz à frente do filme.

O filme passa longe de ser um desrespeito ao original – é até muito mais fiel do que eu poderia imaginar – e isso parece ser pior, pois percebe-se uma bela chance desperdiçada.


[xrr rating=2.5/5]

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Publicação Henrique Amud