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Diretor e elenco de "Quando eu era vivo" contam como é fazer um filme de terror no Brasil

No dia 29 de janeiro, o diretor Marco Dutra deu uma entrevista para a imprensa carioca no Espaço Itaú de Cinema, em Botafogo, para dar mais detalhes sobre seu mais recente filme, o terror “Quando Eu Era Vivo”, junto com parte de seu elenco. O longa é estrelado por Antonio Fagundes, Marat Descartes (que estava presente no evento) e a cantora Sandy Leah (aquela mesma que fazia parceria com o irmão Junior) e conta a história de um homem, vivido por Descartes, que volta para a casa do pai (Fagundes), depois de perder o emprego e a esposa. Aos poucos, ele desenvolve uma estranha obsessão pelo passado da mãe, já falecida, e começa a perder a sanidade mental. Esse processo também pode afetar a vida do pai e a jovem inquilina interpretada por Sandy.

O diretor Marco Dutra fala sobre seu segundo longa. (Foto: Célio Silva)
O diretor Marco Dutra fala sobre seu segundo longa. (Foto: Célio Silva)

O cineasta afirmou que quis fazer um filme de terror porque gosta muito de gêneros cinematográficos e sempre achou estranho os filmes brasileiros ficarem sempre na categoria “Nacional”, sem serem muito específicos, como Drama, Comédia Romântica, entre outros. Quando estava na faculdade, Dutra, junto com a parceira Juliana Rojas (com quem co-dirigiu “Trabalhar Cansa” e neste novo filme assina a montagem) teve o desejo de fazer filmes de terror e acabou aprendendo a entender a usar o conteúdo do que se quer mostrar para chegar à forma. O diretor disse que resolveu (ao lado de Gabriela Amaral Almeida) adaptar o livro “A Arte de Produzir Efeito Sem Causa”, de Lourenço Mutarelli, com elementos de suspense e terror para mostrar a tensão da relação entre pai e filho dos protagonistas.

Diretor e parte do elenco de "Quando eu era vivo" em entrevista para a imprensa carioca.(Foto: Célio Silva)
Diretor e parte do elenco de “Quando eu era vivo” em entrevista para a imprensa carioca.(Foto: Célio Silva)

O diretor disse que, para escrever o roteiro, partiu muito do estudo da obra de Mutarelli e que houve algumas inspirações de filmes pelas direções de arte e de fotografia durante a pré-produção, especialmente “Sindrome de Cain” e “Vestida Para Matar”, de Brian De Palma. Já Marat Descartes contou que sua principal inspiração foi a interpretação de Jack Nicholson em “O Iluminado”, de Stanley Kubrick. “Imediatamente (ao saber da sinopse) me veio a figura do Jack Torrance (personagem de Nicholson) porque acho que tem uma situação de confinamento do Junior (seu personagem), que se enfia naquele apartamento e não quer mais sair dali e há um processo de loucura que o transforma numa pessoa violenta em relação às pessoas que ele mais deveria amar. E eu acho que o Jack Torrance também chega nesse limite. Então, eu acho que foi inevitável”, disse Descartes. Ele também admitiu uma relação com Norman Bates, do clássico “Psicose”, quanto a sua relação com a mãe.

Sandy Leah (Bruna) e Gilda Nomacce (Miranda) durante as filmagens de "Quando eu era vivo". (Foto: Flora Dias)
Sandy Leah (Bruna) e Gilda Nomacce (Miranda) durante as filmagens de “Quando eu era vivo”. (Foto: Flora Dias)

Segundo Dutra, as filmagens levaram 18 dias no fim de 2012 e ele resolveu chamar Sandy para o papel porque ela teria a voz necessária para a personagem e por ter uma relação nostálgica com a cantora, já que ele curtia suas canções na infância e adolescência (Dutra tem 33 anos). O diretor achava que ela não toparia interpretar Bruna por não saber se ela queria atuar ou não. No entanto, ele ficou surpreso ao ser chamado para conversar com a cantora no seu escritório em Campinas (SP), onde ela revelou ter adorado o texto . “Parecia que ela tinha estudado a Bruna há um mês e ela tinha lido no dia anterior o roteiro”, disse Dutra, que confessou que ela teve uma preparação especial com a atriz Gilda Nomacce (que interpreta a manicure Miranda) antes das filmagens. Quanto a Antonio Fagundes, o ator manifestou interesse no projeto após ler o livro de Muttarelli, lançado em 2008, e falou com a esposa dele que gostaria de, um dia, interpretar o personagem do pai. Quando a ideia de fazer o filme finalmente foi levada para frente, em 2011, a produção resolveu contatá-lo, embora estivesse com a agenda lotada, com uma peça de teatro e uma novela. Apesar disso, ele topou participar, mesmo com pouco tempo.

A entrevista coletiva foi num cinema da Zona Sul do Rio. (Foto: Célio Silva)
A entrevista coletiva foi num cinema da Zona Sul do Rio. (Foto: Célio Silva)

Outro destaque do filme foi a trilha sonora, assinada pelo diretor e por Guilherme Garbato, Gustavo Garbato. Dutra admitiu que uma das adaptações foi mudar o perfil da personagem Bruna, que deixou de ser uma aluna de Arquitetura para se tornar uma estudante de Música e, por isso, as canções eram essenciais para o clima do filme, especialmente a que toca no fim da trama. Para ele, essa foi a mais difícil para ser composta porque deveria ser uma canção de ninar e, ao mesmo tempo, um tom tenebroso e macabro, como as músicas infantis. Aliás, o diretor arrancou risos dos jornalistas ao afirmar que “Branca de Neve e os Sete Anões” é um desenho de terror. Marat Descartes confessou que foi difícil fazer um dueto com Sandy. “Ela é a pessoa mais afinada do mundo”, afirmou Dutra.

O diretor disse que é difícil fazer filmes no Brasil, mas não foi mais complicado “Quando Eu Era Vivo” ganhar um edital do que uma produção como “Tropa de Elite”, por exemplo. “As pessoas gostam de terror! As pessoas vão ver!”, segundo Dutra. Ele pretende continuar no gênero de terror e vai fazer mais dois projetos. O primeiro, mais adiantado, é sobre uma mulher que está grávida de um bebê lobisomem e outro, ainda embrionário, será sobre vampiros. “Eu gosto porque são sobre dois monstros clássicos”, disse Dutra, que confessou que deseja dirigir um musical.

Marat Descartes, Sandy Leah e Antonio Fagundes estrelam "Quando eu era vivo" (Foto: Flora Dias)
Marat Descartes, Sandy Leah e Antonio Fagundes estrelam “Quando eu era vivo” (Foto: Flora Dias)

A atriz Tuna Dwek, que interpreta Lurdinha, a namorada do personagem de Fagundes, elogiou a direção do filme, especialmente na cena em que ela leva uma surra de Marat Descartes. “O Marco marcou milimetricamente a cena. É tudo tão preciso que se você errar um segundo, você estraga a cena. (…) Ele é muito objetivo. Ele sabe o que ele quer. Isso dá uma segurança enorme para o ator”, disse Tuna. Para ela, a cena precisava ser feita com verdade senão ela não funcionaria e isso não seria possível se não fosse a parceria que ela já tinha com Marat. Outro detalhe que ela chamou a atenção foi a questão dos olhares dos personagens. Para Tuna, é possível perceber o terror e a violência iminente da história com os olhos.

O diretor acrescentou que essa sequência tinha que ser realizada com os atores totalmente entregues e que a direção de arte sabia que poderia estragar alguns elementos do cenário. Além disso, ele também defendeu a importância dos coadjuvantes, como Gilda Nomacce Kiko Berttholini, que vive Pedro, o irmão misterioso de Junior, que se torna essencial para a trama. Para finalizar, Dutra afirmou que chamou Marat Descartes novamente para o seu filme (eles já tinham trabalhado juntos em “Trabalhar Cansa”) por ser muito inteligente e por se entregar bastante. Mas também porque ele ajuda na construção dos detalhes do personagem, que são essenciais para fazer cinema, e é por isso que funciona.

“Quando Eu Era Vivo” estreia nos cinemas no dia 31 de Janeiro.

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