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“Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” é o MCU sob a (interessante) ótica de Sam Raimi

“Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” é um dos filmes mais esperados do ano não só por trazer os eventos que sucedem o fenômeno “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”, ou trazer-nos Wanda Maximoff de volta em sua primeira aparição desde “WandaVision”. A Continuação de “Doutor Estranho” (2016) é a estreia do diretor Sam Raimi no Universo Cinematográfico Marvel, e seu primeiro filme baseado em um personagem criado por Stan Lee desde “Homem-Aranha 3” (2007).

Na trama, Dr. Stephen Strange lança um feitiço proibido que abre a porta para o multiverso, incluindo versões alternativas de si mesmo, cuja ameaça à humanidade é grande demais para as forças combinadas de Strange, Wong e Wanda Maximoff.

Por que celebrar Sam Raimi? Simples: ele é a verdadeira estrela do filme. Doutor Estranho 2 nada mais é do que o MCU sob a ótica do diretor, que empreende aqui o que se pode considerar o filme mais autoral da Marvel Studio. Raimi faz questão de alinhavar em meio à estrutura narrativa padrão dos filmes da Marvel (a já famigerada fórmula Marvel) elementos que são identificados com facilidade por seus fãs e que são indeléveis em sua obra. Doutor Estranho 2 é MCU, mas também é Raimiverso.

Daí, como, de certa forma, o trailer já nos havia adiantado, temos um filme de terror, com toques de humor e sarcasmo. Com o personagem mais do que íntimo das plateias, sem a necessidade de introduzir e construir sua jornada, a trama pôde se desprender da receita de bolo do anterior (que tinha uma estrutura narrativa bastante semelhante a Matrix), e ganhar um pouco mais de personalidade.

Benedict Cumberbach, bastante à vontade com seu personagem, imprime a graça, o carisma e o deboche característicos desde que conhecemos a versão cinematográfica do Mago Supremo da Marvel há 6 anos. Porém, dessa vez ele não está sozinho. Se no primeiro filme ele tinha a cena roubada por Benedict Wong (o Wong) e ficava à sombra de Tilda Swilton toda vez que ela entrava em cena como a Anciã, agora ele tem 3 mulheres ao seu redor que, em vários momentos, eclipsam-no. São elas Elisabeth Olsen, como Wanda/Feiticeira Escarlate; America Chavez, vivida aqui pela sagaz Xochitl Gomez, e a Christine de Rachel McAdams.

Não que a atuação de Cumberbach esteja desbotada, mas o roteiro de Michael Waldron, tal qual uma música de Chico Buarque ou uma novela de Manoel Carlos, parece ter sido escrito para as mulheres. São elas que se mostram mais complexas e, consequentemente, mais interessantes.

Doutor Estranho 2 cumpre com a promessa de continuar se esbaldando na brincadeira do multiverso, que foi introduzida e regulamentada em Loki, e teve sua apoteose em “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”. Aqui vemos o quão perigoso é o combo magia e dimensões do tempo e espaço.

Apesar de longo (2:26) seu desenvolvimento se dá de forma satisfatória e envolvente, ainda assim, uns quinze minutos a menos não prejudicariam a trama. O clímax padrão MCU também gera um certa frustração em quem esperava algo realmente fora do convencional.

Por fim, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” mantém a coesão com tudo o que foi apresentado até aqui, e continua pontando para um futuro de possibilidades ilimitadas no MCU. No entanto, pelo universo que fora introduzido no primeiro filme, esperava-se algo ainda mais ousado, não só narrativamente, como no que tange aos efeitos especiais e até mesmo a questões inerentes ao perfil dos personagens. Mesmo com o adorno autoral conferindo por Sam Raimi, optou-se pela retidão.

A cena entre créditos aponta para algo grandioso, dando a entender que o que foi visto é apenas a ponta do iceberg. O certo é que a Marvel ainda terá muita história para desenvolver antes de reunir os Vingadores com a nova formação. Quando achávamos que se tratava do fim de uma era, estamos, na verdade, no início de outra.

Nota: Muito Bom – 3,5 de 5 estrelas

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