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E "Confissões de Adolescente" continua fazendo da puberdade um (bom) retrato de gerações

A peça teatral, o livro e a série de TV da “franquia” Confissões de Adolescente” sempre se valeram da estrutura de crônicas para refletir as desinências de uma geração noventista, a “última romântica” pré-internet. O mundo mudou e a forma de se relacionar com ele também, entretanto, os dilemas adolescentes são atemporais e é na propriedade disso que a atualização dá certo. É até bem sintomático que o roteirista do filme, o diretor Matheus Souza, tenha lançado seu segundo longa, o irregular “Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Tô Fazendo Com a Minha Vida”, poucas semanas antes da estreia de Confissões. Aqui, sua afobação egóica fica limitada a experiência objetiva do diretor Daniel Filho (em parceria com Cris D’Amato).
Como bom representante de seu tempo, seu roteiro é hábil em pulverizar elementos contemporâneos (e boas sacadas atuais) nos clichês teens costumeiros. O filme é surpreendentemente bem moldado no intuito de atualizar os discursos sem perder uma espécie de clima emocional da série original. A amoralidade das cenas de sexo e nudez, além dos diálogos bem explícitos tornam tudo ainda mais interessante e verossímil, sem o artificialismo careta de Malhação, por exemplo.

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Claro que o cinema de Daniel Filho tem outro tipo de caretice, como marcações de novela e trilha dramática inconsequente (piorada pela montagem problemática). Por outro lado, o elenco é, invariavelmente, assertivo e carismático, e a sensação no fim é de que, para além dos clichês “de adolescentes” (alguns bem americanizados), o filme consegue tornar interessante até o lugar comum, porque identificação é previsível até para nos fazer rir do quanto éramos adoravelmente ridículos. E essa ridiculosidade é o que torna todas as gerações iguaizinhas… Primeira surpresa (boa) do ano!!!

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