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Festival do Rio: Ela, A Chinesa

Dizer que tudo é feito na China, mais do que um jargão popular, é uma realidade infeliz estipulada pelo capitalismo ocidental que transferiu toda sua indústria para o leste asiático em busca de preços menores. O resultado não é somente a exploração humana, mas também a perda de identidade dos povos que passam a consumir um ocidente genérico.

Ela, A Chinesa é um interessante e honesto retrato da identidade do povo asiático, talvez devido a cineasta Guo Xiaolu ter feito o mesmo caminho – em circunstâncias diferentes – da protagonista do filme, ou talvez pela boa atuação de Huang Lu, que transparece autenticidade durante toda película.

A trama acompanha Li Mei (Lu Huang), uma jovem criada no interior da China cuja única expectativa é seguir os planos de sua mãe e casar com um funcionário público nada atrativo, mas que acaba fugindo para a cidade grande após ser estuprada por um caminhoneiro local. Sem conseguir emprego, Meia acaba trabalhando em um salão de cabeleireiros que também funciona como prostíbulo até conhecer Spikey (Wei Yibo), um jovem que trabalha cobrando dívidas de um agiota e sonha viver em Londres. Sem revelar tudo e tirar a graça do filme, Mei acaba indo parar em Londres apenas para perder o deslumbre com a civilização ocidental, se casando e envolvendo com diferentes tipos enquanto amadurece e desmistifica o sonho que possui do ocidente.

Enquanto a narrativa de Li Mei se desenrola acompanhada de uma trilha punk rock, a diretora Xiaolu aborda diversos temas interessantes que colocam o filme como um excelente registro. São utilizados eventos como os terremotos na China, as condições de trabalho escravo que os chineses são obrigados a se submeter, a situação precária dos imigrantes ilegais na Europa e conflitos culturais de todos os tipos, num mundo onde cada vez mais raças transitam entre si. Recomendo!

[xrr rating=3.5/5]

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