Ambrosia Filmes Festival do Rio: Gretchen Filme Estrada

Festival do Rio: Gretchen Filme Estrada

Parte da mostra Première Brasil do Festival do Rio, Gretchen Filme Estrada acompanha o momento em que Maria Odete Brito de Miranda, ou Gretchen – a rainha do bumbum, decidiu aposentar o rebolado e ingressar na política.

A sinopse do documentário (e seu texto de abertura) diz que Gretchen rebolou por muitos Brasis nesses 30 anos de carreira, passando por quatro papados, oito copas do mundo, ditadura, governo Collor, governo Lula… Mas o “filme estrada” acompanha Gretchen rebolando pelo interior do Brasil.

Em Abril de 2007, ela se candidata à prefeitura da ilha de Itamaracá – PE, e é chegada a hora de parar com o “Piripipi”. Quer dizer, depois da eleição. O filme mostra Gretchen em sua Farewell Tour por lonas de circo em algumas das cidades mais pobres do país, onde populares gastam R$ 3,00 para vê-la rebolar enquanto toca um playback de seus maiores hits, Conga Conga, Freak Le Boom Boom e Melô do Piripipi.

O filme acerta em mostrar Gretchen como a cara do Brasil. Uma mulher batalhadora, dessas que “dão nó em pingo d’água” para sustentar os filhos, pagar as contas e, sendo uma artista, se manter na mídia. Mas é quando as pesquisas mostram que a eleição de Gretchen será impossível que o filme resolve “se revelar” como um filme sobre os usos.

Dá para entender a idéia, quando pensamos na coligação a que Gretchen se filia querendo usar a popularidade da cantora para eleger um prefeito. Quando pensamos em Gretchen usando a política para aposentar a bunda – ela admite não suportar mais cantar as mesmas músicas, depois de 30 anos. Quando vemos seus adversários usando a carreira dela como munição para atacá-la, o partido a orientar para usar sua religião como discurso de arrependimento.

Mas o que fica parecendo é que os cineastas esperavam que ela fosse eleita para documentar mais um momento curioso na política nacional. Como isso não aconteceu, perdem o foco e se decidem por essa abordagem. Aí, a impressão é de que foi uma decisão tomada na hora da edição. Tudo bem, não dá para roteirizar os fatos. Quanto à Gretchen… parece que ela voltou a ter que rebolar para sobreviver!

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