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Festival do Rio: Malu de Bicicleta e o encanto de ser o que é

Uma espécie de Dom Casmurro contemporâneo, o filme Malu de Bicicleta de Flávio Tambellini é uma grata surpresa na apática seara dos filmes brasileiros que versam sobre relacionamentos – não necessariamente comédias românticas. Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, o filme conta a história de um empresário paulista (Marcelo Serrado) que é atropelado por uma mulher (Fernanda de Freitas, graciosa) na orla carioca e se apaixona perdidamente. Tambellini constrói seu filme com leveza, dando bastante insumos para uma identificação com seus personagens. O roteiro é espirituoso e tem boas sacadas, dando um novo caminho ao batido conflito do ciúme em uma relação estável que culmina num final um tanto melancólico.

Depois do fraco Passageiro –  segredo de adulto, Tambellini exibe maturidade em sua nova produção, principalmente por conseguir estabelecer uma crônica das relações amorosas desprovida de pretensões ou de “filosofismos”; apenas disposto a contar uma história prosaica que capta bem a sagacidade de Rubens Paiva em ilustrar a passionalidade do homem diante de uma situação de paixão extrema.

Esse é um gênero que rende caminhões de dólares lá fora, mas que aqui não conseguiu se estabelecer muito pela falta de habilidade em dialogar com o mesmo. Apenas os filmes de Sandra Werneck (como o ótimo Pequeno Dicionário Amoroso e o notável Amores Possíveis) conseguiram alguma repercussão positiva, ao contrário de bombas como Mais uma vez amor, de Rosane Svartmann – que ainda nos deve um filme decente, mas dizem que seu próximo filme Desenrola, vem pagar essa dívida – e Dom, de Moacyr Góes (um horror).

Da seleção competitiva de filmes da Premiere do Festival do Rio, Malu de Bicicleta foi, sem dúvida, um dos filmes mais sinceros e agradáveis, mesmo sendo apenas correto de uma forma geral. Se bem que no cenário atual de nosso cinema, onde a grande maioria se divide entre a apatia e o excesso de pretensão, o filme de Tambellini é um achado.

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