O Dia da Saia

Um Dia Cão

Uma temática excessivamente recorrente no cinema francês contemporâneo é a questão da inserção do imigrante e de seus descendentes, de cidadania francesa, junto a sociedade e a nação que lhes recebeu. Duvido que menos da metade dos filmes franceses atualmente produzidos não toquem no assunto.

Parece evidente a inexperiência com a imigração de gente com pele mais escura e religião distinta da cristã, a predominante entre os filhos dos gauleses. Daí esta preocupação. A nação francesa já não é mais e, cada vez mais intensamente, será distinta da França de Napoleão.

Nesta leva eis que surge “O Dia da Saia” de Jean-Paul Lillienfeld. Uma professora se vê numa situação em que mantêm seus alunos, majoritariamente se não na totalidade, muçulmanos como reféns num teatro do colégio onde tente ensinar algo sobre Molière. O conflito entre Estado, que tenta impingir sua cultura oficial a quem não compartilha dela, com a Sociedade é flagrante. Por outro lado, os oprimidos também se mostram opressores ao também procurarem se impor. O filme tem uma visão bastante rara, sem maniqueísmos baratos, no “gênero”. No entanto por não se tratar de uma tese sociológica ou de Ciência Política é que a coisa pega.

O cineasta mostra-se inapto para escrever drama e para dirigi-lo. Diálogos são paupérrimos e as situações de plausibilidade patética. Os bons personagens apresentam-se de maneira tosca. Os atores, carentes da proteção de um verdadeiro diretor, recorrem à técnica com pouquíssima criatividade. Parece terem ligado algum piloto automático. A mis-en-scéne se não é desastrada não nos apresenta nada de especial.