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Festival do Rio: A problemática da pretensão em “Órfãos do Eldorado”

A obra do escritor Milton Hatoum, conhecida pela riqueza poética e dramatúrgica, ainda não encontrou no audiovisual uma representação que o valha. Órfãos do Paraíso, adaptação do livro homônimo do autor, não parece querer mudar essa tese.

Dirigido pelo carioca Guilherme Coelho, o longa acompanha a viagem interna que Arminto (Daniel de Oliveira, soberbo) adentra quando retorna para casa do pai, após anos de ausência. Ele volta à sua cidade natal após muitos anos para reencontrar o pai, com quem não tem bom relacionamento, e Florita (Dira Paes), companheira do patriarca. O enredo não revela muito sobre o passado do protagonista além de situações ocorridas no presente.

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Um problema flagrante no filme está na excessiva estetização que o diretor, em seu primeiro longa de ficção, busca imprimir. A trama em si é até interessante e reserva uma reviravolta final. Entretanto, Coelho torna tudo tão burocrático e vago em pretensões, que o impacto da própria história se perde em meio a banalidades estilísticas.

Uma curiosidade é que dentre os roteiristas está a presença do autor João Emanuel Carneiro, das novelas Avenida Brasil e a recente (ótima, por sinal) A Regra do Jogo. Pena que não há nada no filme que represente sua astúcia no ofício.

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