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Festival do Rio: "O Cheiro da Gente", a nova travessura de Larry Clarke

Em 1995, Larry Clarke chocou o mundo fazendo uma radiografia do lado B da Geração X, que já era conhecido, mas nunca visto com tanto grafismo e cores quentes. Era o filme “Kids”, que mostrava o cotidiano de um grupo de jovens novaiorquinos cujas vidas consistiam apenas em andar de skate, fumar maconha, beber e fazer sexo sem proteção. Ao longo de sua carreira cinematográfica, Clarke promoveu variações deste mesmo tema espalhadas por outros títulos. Agora, o diretor americano de Oklahoma ataca com “O Cheiro da Gente” (The Smell Of Us/ França, 2014).
Na verdade, o filme mais parece uma refilmagem de “Kids”, apenas trocando Nova York por Paris, indo na contramão do procedimento recorrente do Cinema Americano de adaptar para a sua língua filmes estrangeiros. Aqui, a câmera de Clarke mostra Math (Lukas Ionesco), um jovem parisiense cujo cotidiano consiste apenas em andar de skate, beber, fumar maconha, vandalizar e eventualmente se prostituir. Muitas dessas ações são devidamente registradas por onipresentes câmeras de celular. Ao ver a trajetória de Math e sua turma, é impossível não se lembrar imediatamente do filme de quase vinte anos atrás. Temos a mesma câmera nervosa, as tomadas feitas com câmeras amadoras e as interpretações naturalistas que conferem veracidade ao que está sendo mostrado.
hero_the_smell_of_us2O diretor faz questão de não poupar o espectador de momentos incômodos (e desnecessários) como a longa cena de podolatria envolvendo Math e um de seus clientes. Em “O Cheiro da Gente” Larry Clarke lança sua lente sobre o lado mais degradante da Geração Milenium apenas repetindo o que realizou na década retrasada, sem trazer nenhum elemento novo. Mas desta vez o público dificilmente se sentirá chocado pelo que vê na tela. Apenas se sentirá enganado pela falta de inovação do diretor.

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