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"Homem-Aranha no Aranhaverso" oferece tudo o que os fãs sempre quiseram ver no cinema

Definitivamente, Hollywood não está nem um pouco disposta a largar o osso das adaptações cinematográficas de heróis de quadrinhos. Até porque elas continuam rendendo muito bem, obrigado. Vide o grande sucesso mundial que se tornou “Aquaman”, por exemplo, só para citar um dos casos mais recentes.
Não é de se espantar que o Homem-Aranha, um dos personagens mais queridos do grande público continue rendendo mais obras que não param de fazer bonito nas bilheterias, mesmo com queixas de alguns fãs que reclamam das “liberdades artísticas” que acabam comprometendo o resultado final.
Mas mesmo eles não devem ter muito do que se queixar com a incrível proeza obtida na animação “Homem-Aranha no Aranhaverso” (“Spider-man into the Spider-verse”, 2018), que não só apresenta a nova versão do herói aracnídeo aos não-iniciados nos quadrinhos, como também consegue uni-lo a diferentes personificações do Cabeça de Teia, com muita ação, bom humor na medida certa e uma técnica impecável de realmente fazer o queixo de muita gente ir ao chão.
Não por acaso, o filme levou o Globo de Ouro de Melhor Animação e tem grandes chances de papar o Oscar na mesma categoria.
"Homem-Aranha no Aranhaverso" oferece tudo o que os fãs sempre quiseram ver no cinema | Críticas | Revista Ambrosia
A trama mostra que, na mesma Nova York onde o Homem-Aranha já está consagrado como o Amigo da Vizinhança, vive o adolescente Miles Morales, afro-americano com descendência latina, que mora no Brooklyn com o pai, que é policial, e a mãe enfermeira, tentando se enturmar com os alunos de um colégio para estudantes superdotados em Manhattan, onde consegue uma bolsa de estudos.
Assim como Peter Parker, Miles é picado por uma aranha radioativa e passa a ter poderes especiais, alguns semelhantes ao do Homem-Aranha como escalar paredes e um sexto sentido que o alerta do perigo. Outros bem diferentes como uma camuflagem que o torna “invisível” por alguns instantes.
Porém, Miles tem pouco tempo de entender e até curtir seus novos dons porque o jovem acaba envolvido numa confusão criada por Wilson Fisk, o Rei do Crime, que desenvolveu uma máquina capaz de abrir portais para outros universos.
A máquina acaba atraindo outras versões do Homem-Aranha, como uma versão mais velha (e ligeiramente fora de forma) do herói, a nova Mulher-Aranha, o Homem-Aranha Noir, Peni Parker (junto com seu robô de combate) e até mesmo o Porco-Aranha. Miles acaba se unindo ao grupo de aranhas para impedir os planos do vilão e ajudar suas contrapartes a descobrir como voltar para as suas dimensões originais, ao mesmo tempo em que tenta compreender o que é necessário para ser o novo herói de Nova York.
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A primeira coisa a chamar a atenção em “Homem-Aranha no Aranhaverso” é a maneira encontrada pelos seus realizadores de lançar o personagem Miles Morales no cinema.
Criado por Brian Michael Bendis e Sara Pichelli para o Universo Ultimate que a Marvel desenvolveu para inserir seus principais personagens num ambiente mais contemporâneo, Miles acabou caindo nas graças dos fãs dos quadrinhos e foi um dos únicos a sobreviver quando o projeto perdeu a importância na Casa da Ideias, chegando até a dividir histórias com o escalador de paredes original.
Graças às mentes talentosas de Phil Lord e Christopher Miller, responsáveis por sucessos como as animações “Tá Chovendo Hamburger” e “Uma Aventura Lego”, assim como os dois filmes da franquia “Anjos da Lei”, a produção conseguiu construir uma história dinâmica, que nunca perde o fôlego e cria uma verdadeira empatia entre o público e os personagens, principalmente com o seu protagonista, apresentado como um adolescente que busca encontrar seu lugar no mundo, como muitos jovens de sua faixa etária (e alguns adultos mais velhos também).
Para obter esse ótimo resultado, o roteiro (escrito por Lord e Rodney Rothman) foi escrito com um cuidado raramente visto numa animação inspirada em quadrinhos, já que consegue obter uma humanidade nos heróis e até mesmo no vilão, ajudando a criar uma maior cumplicidade dos espectadores, não só nos momentos de ação, mas também nas sequências com mais emoção.
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Outro grande acerto está na qualidade da animação, que trabalha muito bem a computação gráfica misturada a desenhos em 2D, muitas vezes numa mesma cena e com uma precisão incrível, que ajuda a dar o dinamismo que está sempre em alto nível, nunca perdendo o fôlego.
A utilização das cores resulta numa experiência tão moderna e psicodélica que, mesmo que o espectador veja o filme em 2D, tenha a impressão de estar vendo o filme em 3D (e sem óculos!!!). Talvez algo que ainda não tinha sido visto numa sala de cinema.
No comando de tudo isso, os diretores Bob Persichetti, Peter Ramsey, além de Rothman, uniram forças para realizar um grande espetáculo que não só enche os olhos de quem assiste, mas também conseguem equalizar todos os elementos que tornaram o herói aracnídeo e suas diferentes versões tão atraentes até hoje, por mais estranhas que possam parecer. E isso não é nada fácil.
Além disso, os cineastas e sua equipe de animadores (a maior já contratada pela Sony Pictures Animation) conseguem conduzir muito bem a jornada de Miles para se tornar digno do legado de Peter Parker, fazendo com que o público seja cúmplice, como se estivesse ao lado do jovem e sentindo as alegrias e tristezas que ele experimenta em seu caminho.
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Quem puder assistir a versão legendada, vai se deliciar com o elenco de vozes muito bem escolhido para os personagens. Assim, temos desde atores pouco conhecidos como Shameik Moore (Miles Morales), Jake Johnson (Peter B. Parker), John Mulaney (Porco Aranha), Kimiko Glenn (Peni Parker), a até mesmo a astros consagrados e vencedores do Oscar como Hailee Steinfeld (Gwen Stacy/Mulher Aranha), Mahershala Ali (Aaron, tio de Miles), Zoe Kravitz (Mary Jane), Liev Schreiber (Rei do Crime) e Nicolas Cage (Homem-Aranha Noir). Todos estão ótimos em seus papéis e ajudam a tornar o filme ainda mais incrível e envolvente.
Com uma bela homenagem ao falecido Stan Lee, além contar com uma série de easter eggs que vão deixar os fãs de longa data do Cabeça de Teia com um sorriso permanente nos seus rostos e um humor que não perdoa nem mesmo as adaptações cinematográficas anteriores, “Homem-Aranha no Aranhaverso” surpreende não só pela qualidade técnica, mas por trazer uma aventura impecável que conseguiu traduzir melhor tudo aquilo que torna a criação de Lee e Steve Ditko única e resistente ao tempo, além de mostrar por que Miles Morales conquistou tantos leitores em tão pouco tempo.
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Como cereja do bolo, há uma cena pós-crédito que vale muito a pena ser vista por não só mostrar um possível caminho para uma continuação como também brinca com um meme que ficou bastante conhecido nas redes sociais.
Ao final da projeção, fica uma dúvida: como caras tão talentosos quanto Lord e Miller foram demitidos de “Han Solo: Uma História Star Wars”? Com certeza, a produção sobre o piloto da Millenium Falcon teria sido bem mais divertida e criativa do que o que acabou sendo apresentado no fim das contas. Provavelmente, a Lucasfilm deve estar arrependida do que fez até hoje.
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"Homem-Aranha no Aranhaverso" oferece tudo o que os fãs sempre quiseram ver no cinema | Críticas | Revista AmbrosiaFilme: Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man into the Spider-Verse)
Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman
Vozes:  Shameik Moore, Jake Johnson, Hailee Steinfeld, Mahershala Ali, Zoe Kravitz, Chris Pine e Nicolas Cage
Gênero: AnimaçãoAção/Aventura
País: EUA
Ano de produção: 2018
Distribuidora: Sony Pictures
Duração: 1h57min
Classificação: 10 anos

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Publicado por Célio Silva

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