em ,

“Linda de Morrer”: uma comédia aquém de seu próprio assunto

Linda de Morrer é daquelas comédias que se esquece no minuto seguinte em que os créditos finais aparecem. Mas aí você pode até dizer que, dado o cenário das comédias atuais, estranho sério se fosse o contrário. Entretanto o filme parte de uma premissa fresca e até interessante de se abordar pela comédia: a ligação entre os extremos da vaidade e o esvaziamento das relações humanas.

Glória Pires é Paula, que encontra a cura para a celulite por meio do medicamento Milagra. Prestes a lançar o produto revolucionário, ela faz uma aplicação em si mesma, sofre um estranho ataque de nervos e acaba falecendo. No entanto, seu espírito fica preso à Terra com a missão de impedir a venda do medicamento. O destino coloca no caminho de Paula o psicólogo Daniel (Emílio Dantas), que herdou da avó o dom da mediunidade. Juntos, eles formam uma divertida, porém atrapalhada parceria para evitar que o produto chegue ao mercado.

linda de morrer gloria

A diretora Cris D’Amato já foi bem mais habilidosa com a câmera ao acampar os defeitos e acertos do gênero, no irregular, mas divertido, S.O.S Mulheres ao Mar (cuja continuação estreia esse ano), mas em Linda de Morrer, por mais que realmente dê para embarcar no divertimento raso, fica tudo muito limitado ao enfoque previsível e quadradinho da questão.

O roteiro não faz paralelo o desenvolvimento da questão com a necessidade de uma abordagem cômica da mesma. Fora alguns problemas visíveis de direção de arte (repare no consultório do Daniel) e preguiça na fotografia.

O elenco é satisfatório, com Glória fazendo boa dobradinha com a cria, Antonia Morais. Porém, a atriz ainda não achou uma comédia que enalteça satisfatoriamente sua versatilidade. E o assunto, tão ridiculamente próximo de nossa cultura, ainda patina na diluição em fórmulas de gênero, que só fazem de seu esquecimento rápido uma ironia do assunto da qual o próprio filme critica.

Linda de Morrer

Participe com sua opinião!