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“Missão Impossível – Protocolo Fantasma” é espetacularmente consciente de seu papel no gênero e no cinema

Eis uma franquia um tanto sólida esta a do Mission: Impossible. Tom Cruise se deu muito bem ao torná-la sua tábua de salvação marqueteira e essa junção tem sido boa até para o lucrativo cinemão de Hollywood.

O primeiro filme, que faz uma adaptação de uma icônica série de TV homônima sessentista, veio com o verniz pulsante de Brian de Palma, como se desse boas vindas ao que o futuro reservava para a superprodução em termos de mercado.

John Woo fez o filme mais fraco e que menos reunia o que virou a marca da cinessérie: testosterona e clima (pop) noir.

J.J. Abrams, que é um exímio dominador do exercício do espetáculo no audiovisual, fez de M: I 03, o mais pulsante, eletrizante e (acredite!) consistente exemplar da franquia. Se pensarmos, o filme evocava um interessante paradoxo, pois partia da busca de uma humanidade de Ethan Hunt para contrapor a esquizofrenia pautada que a franquia costuma alimentar. Até aqui, o melhor filme e um passo além à ideia de que “filmes de ação” podem divertir sem serem acéfalos.

Abrams saiu da direção, mas fez-se forte na “casa”, já que é um dos produtores mais ativos e presentes e, agora sob a batuta de Brad Bird, mantém o brilhantismo no mais novo filme Missão: Impossível – Protocolo Fantasma.

Bird, que só havia dirigido animações como o ótimo Os Incríveis, traz consigo a sina espetacular de dar forma – agora em live action – aos caprichos visuais que um filme do gênero necessita e ainda um boa dose de humor.

Com um roteiro correto (ok, as razões do vilão não são assim tão sólidas…), a trama, que bebe bem da fonte dos “filmes clássicos de espionagem”, mostra o agente Ethan acusado pelo bombardeio terrorista ao Kremlin, e desautorizado, junto com o resto da agência, quando o Presidente dá início ao “Protocolo Fantasma”. Deixado sem qualquer recurso ou apoio, Ethan tem que encontrar uma maneira de limpar o nome de sua agência e prevenir um outro ataque. Para complicar ainda mais as coisas, Ethan é forçado a assumir esta missão com uma equipe de colegas fugitivos da IMF da qual ele não conhece completamente. O que aumenta a tensão de estar compactuando com parceiros com motivações escusas.

Tom Cruise demonstra cada vez mais intimidade com o universo e parece se divertir na franquia. Fora que mantém a forma invejavelmente. E, no que tange às cenas de ação e tensão do filme, a satisfação é garantida e milimetricamente construídas para tirar o fôlego da grande massa de espectadores.

Missão Impossível 4 é daqueles filmes que seguem a cartilha dos Blockbusters e até os próprios maneirismos da franquia (como cenas com carros enormes e mulheres com vestidos esvoaçantes saindo dele, Ethan em cima de carros em movimentos, vilões querendo acabar com mundo, locações múltiplas em pontos turísticos perigosos, etc, etc…), porém a construção do todo é criativa e, ainda que de plena consciência de sua natureza, com uma dramaturgia convicente e empolgante. E é aí que vemos o dedo de Abrams, que, para o bem ou para mal, preocupa-se em amarrar bem seus enredos, mesmo resvalando pelo absurdo.

O filme tem feito muito sucesso e isso é a comprovação de que a franquia continua. Só espero que também continue bem ancorada pois o gênero em si já ajuda bastante.

[xrr rating=4.5/5]

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