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Movie Tunes: Alta Fidelidade

Qual seria meu Top 5 para este post? É com esta mentalidade que eu começo o review deste filme que, com certeza tem uma das melhores trilhas sonoras da história. Nick Hornby escreveu um livro fantástico e Stephen Frears soube traduzí-lo (com as devidas adaptações, claro) para a telona.

Movie Tunes: Alta Fidelidade | Filmes | Revista Ambrosia

A história órbita ao redor de Rob Gordon (John Cusack), um proprietário de loja de discos que nos seus 30 e poucos anos, acabou de terminar seu relacionamento e começa a revolver em seus pensamentos porque que seus relacionamentos nunca dão certo.

Daí em diante, começa uma jornada pela vida de Rob através de flashbacks intercalados com fatos que estão ocorrendo, e tudo regado com músicas de uma variedade fantástica. Para se ter uma idéia, a trilha sonora tem em seu disco oficial 15 músicas, mas no total são 57, todas tocadas durante o filme e usadas para representar algum sentimento de Rob.

Some-se a isso as diversas músicas citadas durante o filme, e teríamos uma trilha sonora de quase 80 músicas. Eu separei aqui alguns dos momentos mais legais do filme, e sua respectiva música, mas recomendo ouvir toda a trilha sonora, afinal, tem de tudo, desde Indie até Grunge, passando por Al Green, Aretha Franklin, Belle & Sebastian, Bruce Springsteen, Barry White, Al Green, Bob Dylan e Elvis Costello.

Para começar, um pouco de Belle & Sebastian e Katrina and the Waves.

A cena, logo no começo do filme, explica um pouco da vida de Rob e aqui no caso, temos o começo da interação entre Rob (Cusack), Dick (Todd Louiso) e Barry (Jack Black). Enquanto Rob e Dick estão na loja ouvindo Belle & Sebastian (uma das bandas com maior índice de suicídio entre seus fãs devido a morosidade de suas músicas), chega Barry (criticando a banda, perguntando se alguém havia morrido) e coloca Katrina and the Waves com “Walking on Sunshine”, uma daquelas músicas pop anos 80 mais elétricas, que nem o próprio Barry.

Para os fãs de música, a loja de Rob é um paraíso de discos, cartazes e colantes de bandas famosas e não tão famosas, bem como uma série de LPs totalmente raríssimos espalhados pela loja.

Esse tipo de alternância entre ritmos e humores ocorre constantemente durante todo o filme. A cena de abertura do filme com a música “You’re Gonna Miss Me” do 13th Floor Elevators é bem o caso que eu disse aqui.

Rob, recém largado por sua namorada Laura (a bela Iben Hjejle), escuta a música que traz em si toda a temática de uma separação brigada onde a pessoa acorda de manhã e percebe que seu companheiro(a) não está mais lá.

Conforme vamos nos desdobrando no filme, vamos vendo que, conforme Rob, também queremos entender o porque de sua miséria amorosa. Ele se dá conta após encontrar com uma de suas ex, e claro, lhe vem a mente não apenas uma música, mas o próprio autor da música: Bruce Springsteen.

A frase que Rob fala ao final, Good luck, goodbye, é a última frase da música “Bobby Jean” de Springsteen, em que ele nos fala a respeito de uma amiga que ele gostava muito e que, sem mais nem menos, o deixou sem sequer um adeus. A participação de Springsteen não era esperada, sendo que sua cena foi posta no roteiro mais para exemplificar o como Rob pensa.

Todas as ex-namoradas de Rob, até então, tinham algo em comum. É quando ele começa a revisitar uma a uma, que ele percebe que elas não tinham nada em comum. Fato digno de nota: Catherine Zeta Jones fez o papel de Charlie, a namorada que mais havia magoado Rob até então, trocando ele por outro melhor de cama (Ele era mais glamoroso, como ela diz a Rob em seu reencontro).

A meta linguagem está presente a todo momento. Rob trata o espectador como um amigo o qual a toda hora ele recorre para poder conversar e expressar seus sentimentos, bem como conseguimos enxergar os seus pensamentos, como por exemplo após ele descobrir que sua atual ex está morando com o vizinho Ian (Tim Robbins). É uma das cenas mais desesperadoras do filme ele imaginando ela com o cara.

O filme e a vida continuam, Rob está meio deprimido pelas coisas que lhe têm ocorrido, mas a loja não pára. Ao fundo, começamos ouvindo “Rock Steady” de Aretha Franklin enquanto Barry fala sobre Echo and the Bunnymen e Jesus and Mary Chain.

Dick fala sobree Green Day e suas influências (The Clash e Stiff Little Fingers, o qual é posto para tocar). Ali começamos a ver o relacionamento dele com Ana nascer. Barry volta a aparecer e passa Blonde on Blonde de Bob Dylan para o comprador que não sabe nada de música.

Em seguida, Rob coloca “Dry the Rain” da The Beta Band, uma daquelas bandas que poucos conhecem, mas logo que escutam, começam a gostar. Esse trecho da cena é uma crítica velada as gravadoras que não deram a devida atenção a uma série de bandas muito boas, tornando o mercado Indie uma espécie de opção normalmente original para as abominações presentes na mídia.

Não só esse trecho, mas uma série de outras partes do filme criticam não só a indústria musical, mas o próprio consumidor de músicas. Como Rob bem diz durante a apresentação de sua loja, ele a localizou em um bairro o mais afastado o possível de compradores de vitrine, que se deixam levar apenas pela imagem. A mesma coisa quando Barry expulsa do loja o pai que queria o disco de Stevie Wonder para sua filha. Barry comenta se compensa um artista brilhar rapidamente do que ir queimando-se aos poucos (Burn Out Than Fade Away).

Por fim, Rob e Laura se reconciliam e ela, para ajudar ele a fazer algo que ele realmente gosta, faz uma festa de lançamento do discos dos marginais que roubavam a loja de Rob (e que ele iria produzir) e nela, temos Barry (Jack Black) cantando “Let’s Get It On” de Marvin Gaye.

É uma cena clássica e que ajudou Jack Black a ficar famoso. “Let’s Get It On”, antes que algum espertinho pergunte, faz uma apologia ao sexo pregando em seu refrão que o casal faça a coisa acontecer.

Ainda há diversas cenas legais e muitas mais músicas no filme, mas essas são minhas preferidas e as que eu pude escolher para demonstrar os fatos que eu narrei aqui nesse review. Na página do Wikipedia do filme tem a lista completa das músicas tocadas, citadas e usadas na trilha do filme. Vale a pena ver o quanto uma trilha que praticamente não tem nenhum artista vendedor de milhões de álbuns conseguiu ser tão aclamada como esta.

Para os fãs do filme, recomendo o livro que não é exatamente muito melhor, mas tem um ar mais cínico, especialmente por transcorrer em Londres e não em Chicago como o filme.

J.R. Dib

7 Comments

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  1. Caramba! Alta Fidelidade é um filme muito bom sobre musica (junto com Quase famosos, e Detroit Rock City..rsrs), uma das boas sitações do filme é quando ele diz que se é triste por escutar musica pop, ou se escuta musica pop porque é triste. e podem falar o que quiser o nick hornby e eu cara que manja muito e neste livro/filme conseguiu colocar muito bem o que a musica significa para qualquer amante deste arte.
    uma ideia legal de trilha sonora para o movie tunes seria falar do Jugdement night!

  2. Gosto muito desse filme. É uma excelente adaptação.
    Mas sou apaixonado pelo livro. Assisti há um tempo atrás um espetáculo chamado “A vida é cheia de som e fúria” que tinha mais fidelidade ao Alta Fidelidade rs com a Companhia do Felipe Rischter e do Guilherme Weber, que fazia um Rob Fleming (e não Gordon) muito bem e bem diferente do Cusack.

  3. Judgment Night? Aquele que tem a trilha com Boo Ya Tribe e Faith No More? Tem coisas muito boas nessa trilha!

    Sem duvida tenho que admitir que do filme me lembro pouco, mais a trilha é muito boa, e eu lembrei também da trilha do filme I am Sam (não me lembro como é aqui no Brasil), mas tem otimos covers de Beatles, mais é só uma dica.

  4. I am Sam têm uma excelente trilha sonora, com uma música do Eddie Vedder inclusive.

    Não sou muito fã do Eddie Vedder, mais nessa trilha ele supreende, mais o time escolhido como todo é bem legal, na minha opinião com destaque para Aimme Mam (não me lembro se é assim que escreve) que inclusive fez a trilha do Magnolia.

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Publicação J.R. Dib