Sérgio Mallandro
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“O Errado que Deu Certo” é Sérgio Mallandro no divã

“Mallandro, O Errado que Deu Certo” é a volta maior gaiato da cultura pop brasileira está às telonas, Sérgio Mallandro. Figura fácil nas telonas dos anos 1980, esteve em filmes para o público jovem como “Menino do Rio” e “Garota Dourada”, ou em infantis, entre eles “O Trapalhão na Arca de Noé”, com Renato Aragão, e o clássico “Lua de Cristal”, ao lado de Xuxa. Isso sem contar com os títulos em que assumiu o protagonismo como “As Aventuras de Sérgio Mallandro” e “O Inspetor Faustão e o Mallandro”. Após ficar mais conhecido por seu programa de TV de qualidade duvidosa e suas indefectíveis “pegadinhas”, além da participação no reality “A fazenda”, chegou a hora de retornar aos cinemas, só que contando sua própria história. Ainda que com humor e tons ficcionais, mostra passagens que recriam momentos difíceis por que passou.

Na trama, Mallandro está em uma fase da vida bastante complicada. Grana curta, esquecido pelo meio artístico, e ele até tenta trabalhar como motorista de aplicativo, mas não consegue porque, mesmo disfarçado, sempre acaba sendo reconhecido pelos passageiros. Acreditando estarem participando de uma das pegadinhas, recusam a corrida. Quando parece que chegou sua segunda chance, um acidente faz com que ele perca seus “poderes”, não conseguindo mais dizer nenhum dos famosos bordões como “ié-ié” e “glu-glu”. Agora, vai precisar reverter o quadro para voltar a ter visibilidade na mídia.

O filme é sim um veículo para o humorista, ao mesmo tempo que serve para desconstruir o personagem que ele criou. Aquilo que é seu trunfo, é colocado em questão, como se fosse o Mallandro no Divã. As piadas estão todas ali (tanto as boas quanto as ruins), mas a crítica ao que constitui o personagem, além da forma como leva a vida real, está sempre pontuando a trama.

A decisão do roteiro assinado por Pedro Antonio (“Tô Ryca 2”) e o próprio Sérgio Mallandro em desconstruir o personagem é interessante, embora na maior parte do tempo não passe da superfície. As referências e easter eggs estão por toda parte, inclusive, como não poderia deixar de ser, a Lua de Cristal, em que ele encarnava um príncipe que de tão inusitado se tornou um ícone pop.

Essa é a estreia do diretor Marco Antonio de Carvalho com longas, e a tarefa é justamente deixar o Mallandro brilhar. Em alguns momentos a edição claudica, o roteiro deixa buracos e situações sem resolução, mas ele busca compensar essas falhas explorando ao máximo a verve cômica e o carisma do protagonista. Para o ator principal ficou fácil, afinal o personagem (que se confunde com a própria persona) é carregado por ele há mais de 40 anos. Claro que há momentos em que uma carga dramática mais apurada cairia bem, contudo, dentro da proposta do “biografado” não se podia esperar muito mais do que o apresentado.

Por fim, “Mallandro, O Errado que Deu Certo” reforça a imagem do sujeito disfuncional, meio preguiçoso, insolente, mas adorável que Sérgio Mallandro sempre gostou de passar. Ficção e realidade se misturam e a graça é adivinhar o que é fato e o que saiu da caneta dos roteiristas. Apesar de toda a cretinice de boa parte das anedotas, a aura nostálgica, que é até trabalhada com uma certa habilidade, pode agradar em cheio o público-alvo, saudosista daquele humor oitentista.

Mallandro - O Errado que Deu Certo

Mallandro - O Errado que Deu Certo
6 10 0 1
Nota: 6/10 - Bom
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