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“O Hobbit” diverte, impressiona e emociona, mas também cansa

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O grande mérito da obra de J. R. Tolkien é conseguir romper eficientemente a barreira de seu DNA literário e estabelecer de fato um universo dentre seus fiéis leitores. Na adaptação de O Hobbit – Uma Jornada Inesperada é essa a sensação que fica sobre todas as suas fraquezas. Peter Jackson compreendeu bem isso há mais de dez anos com o excelente O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel e, mesmo caindo na armadilha de extrair história onde não tinha para justificar uma lucrativa trilogia, soube fazer de sua alegoria, uma aventura de respeito. Jackson convidou Guillermo Del Toro para a direção, chegou a dedicar dezoito meses na pré-produção, mas os os atrasos fizeram-no desistir da empreitada. O amigo ainda manteve o crédito por suas ideias no roteiro, mas vendo os direitos sobre a obra de Tolkien expirarem, Jackson não teve muita escolha a não ser assumir as rédeas do projeto para que ele finalmente saísse.

A trama conta a história de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) e se passa 60 anos antes da Saga do Anel. Ela começa com Bilbo contando para seu sobrinho Frodo (o protagonista da Senhor dos Anéis) como foi convidado pelo mago Gandalf (Ian McKellen) para participar de uma aventura e ajudar um grupo de 13 anões a recuperar as terras perdidas anos antes para o dragão Smaug. Por ser uma raça pacata, Bilbo recusa o pedido do mago, mas ainda que meio obrigado, acaba participando da busca e se aventurando pelos reinos da Terra Média.

The Hobbit: An Unexpected Journey

A tal tecnologia utilizada para filmar a nova trilogia, de 48  frames por segundo, o dobro do normal, não me fez nenhuma diferença prática. Se o artifício era esse, deu certo e ficamos bem envolvidos com aquele mundo imaginário dos anões. Talvez pelo fato de conceitualmente O Hobbit ser um livro infantil, a superprodução resulte bem mais solar e menos sombria que a trilogia dos Anéis, ainda que a presença de Gollum é de uma inquietação bem perturbadora. Mas é bem inevitável a sensação de que existe muita metragem para pouca história e o seu roteiro, logicamente, não dá conta disso.  É a velha lógica do oportunismo e não há dramaturgia que resista. O filme diverte, impressiona e emociona, mas também cansa; algo que a perenidade da obra de Tolkien até então não demonstrava.

[xrr rating=3/5]

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