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O Último Exorcismo e o terror “handcam”

Recentemente, seguindo a linha de terror caseiro, muitos filmes foram lançados com baixo orçamento sem deixar de lado a tentantiva ousar e impressionar o público. Logo de cara posso me lembrar de filmes recentes que usaram essa técnica: a franquia [REC], Cloverfield, Atividade Paranormal (que terá seu segundo filme lançado ainda este ano aqui no Brasil). O Último Exorcismo entra pro time de filmes que pretendem arrebatar os públicos no cinema com terror feito a mão.

O nome por trás do longa que realmente chama a atenção é Eli Roth. O Albergue I e II, Death Proof – A prova de Morte (da coletânea Grindhouse de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez) e Bastardos Inglórios são alguns dos filmes em que ele atuou, dirigiu, produziu e colocou toda sua produtividade polivalente nas câmeras. No caso deste projeto, seu papel ficou somente como produtor. A direção fica por conta de Daniel Stamm e roteiro por Huck Botko e Andrew Gurland.

O clássico plot provavelmente não surpreende quem lê a sinopse do filme, já que se trata de mais uma história de exorcismo com tudo o que tem direito: um pastor protestante vai visitar uma família no interior dos EUA que está com problemas estranhos envolvendo uma moça da família. Aliando isso a uma comunicação visual muito semelhante a de O Exorcísmo de Emily Rose, você realmente acha que se trata de um filme qualquer do segmento. Apesar disso, existem diversos detalhes que podem ser considerados diferenciais, como o uso de handcam simulando a gravação de um documentário sobre exorcismos e diversas ações virais produzidas no YouTube e no Chatroulette pela equipe para divulgar o longa. Mas será que pequenos detalhes podem salvar a produção do clichê?

Reverend Cotton Marcus (Patrick Fabian) é um pastor fundamentalista que busca mostrar a farsa do mercado de exorcismos da comunidade protestante em que vive. Criado no meio cristão desde criança, ele sempre se viu condicionado a ser pastor e por isso chegou a um ponto onde começa a questionar as próprias ações. Depois de alguns eventos catastróficos envolvendo mortes acidentais em rituais exorcistas, ele decide convocar uma pequena equipe de cineastas para documentar como é o seu trabalho e desmascarar a rentável maneira de aliviar a vida das pessoas que, segundo ele, sofrem somente disturbios mentais e emocionais. Finalmente ele faria o último procedimento de exorcismo de sua carreira.

Ao selecionar uma família de Lousiana, Rev. Marcus não imaginava que as coisas sairiam do script. Toda a atmosfera estranha da família Sweetzer já dá a entender que a coisa não é tão simples quanto deveria ser na frente das câmeras. A partir daqui começamos a acompanhar o desespero e o descontrole que toma conta de todos ao constatarem que o problema de Nell Sweetzer (Ashley Bell), a doce garotinha protegida da família, é bem mais sério do que se imaginava.

O filme começa bem diferente do esperado, com um pouco de humor sarcástico, mas depois do meio do thriller vemos ao que ele veio de fato. E ele sinceramente não vem tão forte. Apesar de ser um filme tenso, fica aquela sensação de “eu estava esperando mais”. Não que falte sangue, dúvidas e coisas que dão errado, mas acho que a direção e a forma que as coisas são apresentadas pra platéia pecam de uma forma lamentável. Todo mundo poderia ter saboreado mais as cenas, pois a trama se desenrola de forma bem interessante, nem sempre previsível como na maioria das vezes. Mas o pior de tudo fica por conta do fina. Fazia tempo que nada me deixava decepcionada assim por ser tão mal resolvido.

Apesar de tudo, o filme me impactou de certa forma. As cenas pesadas voltavam na minha cabeça durante a noite e eu não dormi direito. Já vi filmes bem mais assustadores e não tive esse tipo de problema. Acho que muito disso se deve a boa atuação da maioria do elenco no contexto das cenas – ou eu que não sou muito corajosa. Achei que os papéis foram bem escolhidos. Os atores não são conhecidos na indústria cinematográfica ainda, mas acho que esse filme será uma boa chance para eles mostrarem seu potêncial.

Infelizmente não foi dessa vez que fizeram um bom filme de terror. Estou aguardando um novo fôlego nesse segmento cinematográfico. Faltam filmes de qualidade para o grande público nesse sentido.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=fZGEJmrdH6M[/youtube]

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  1. Esse estilo de filmagem impacta pleo ar de realidade perceptiva transferido. A proposta de Atividade Paranormal marcou o estilo pelo inteligente enredo – e marketing – do projeto. A interpretação, as casualidades, um 'normismo' bem preparado.
    "O Último Exorcismo" ( não assisti) aparenta uma primícia interessante, mas para mim perde um impacto real quando lembramos de "O Exorcista", mesmo este primeiro aludir a uma espécie de documentário crítico.

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