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"Os Mercenários 3" não foge à cretinice do seu ser. E diverte…

O Cinema pode ser tão contraditório quanto irônico. Sylvester Stallone e seu misto de alegorias do ego e da (auto)sobrevivência que é a marca “Mercenários“, deixa isso claro. Ao empreender uma (bem sucedida) franquia em que promove uma curiosa reunião de astros do passado, ele relativiza uma aparente decadência num produto que acaba por comprovar que o cinema atual ainda compreende e absorve premissas passadas, principalmente as que compreendem os extremos do gênero de Ação.
Em Os Mercenários 3, o time liderado por Stallone é confrontado dramaticamente com um vilão do passado (numa presença forte e, surpreendentemente, leve de Mel Gibson), o que faz com que o veterano líder busque (literalmente) novos integrantes, formando assim, um outro esquadrão.
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O roteiro mantém a tônica que fortaleceu a franquia até aqui: o da auto sátira para escamotear seus clichês propositais, e até uma certa preguiça narrativa em suas cenas finais. Os bons diálogos encharcados de autorreferências – Wesley Snipes respondendo que foi preso por sonegação fiscal é hilário – vão nos distraindo do esquematismo da trama e divertindo nossa falta de exigência com o absurdo das situações (uma marca tão “filmes de ação” das décadas de 80/90).
Além de encaixar com equilíbrio correto as participações de um elenco com nomes como Arnold Schwarzenegger, Harrison Ford, Jason Statham, Kellan Lutz e um Antonio Banderas bem acima da média do que vemos ultimamente, quase roubando o filme, o diretor Patrick Hughes demonstra um mínimo de acuidade, ao se preocupar com uma fotografia detalhista em meio a um universo tão casca grossa. Os Mercenários 3 ainda é o reflexo de seus protagonistas desde o primeiro filme: não fazem autocrítica de suas condições, mas fazem graça de suas faces mais cretinas. Eles se divertem de lá, nós daqui, e tudo resulta num filme bem palatável.

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