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Oz – Mágico, poderose e desnecessáriamente saudosista

Toda vez que vou fazer a crítica de um filme que é refilmagem, sequência, prequência, ou se passa no mesmo mundo que outros filmes consagrados, a primeira palavra que me vem a mente é: necessidade.

Havia alguma necessidade deste filme existir, desta história ser contada, destes personagens interagirem? Se a resposta para qualquer uma destas perguntas for “não”, então você pode ter certeza que a análise do filme não será boa. Com “Oz: Mágico e Poderoso” (2013), essa regra se apresenta como verdadeira, porém, com certos detalhes que podem tornar a experiência agradável sob diversos parâmetros.

Oz preto e branco

A primeira impressão que se tem com o filme é que produtores e o diretor Sam Raimi queriam fazer uma homenagem e ao mesmo tempo, fazer uma leve critica ao filme “O Mágico de Oz” (1939). O filme começa preto e branco, ficando colorido somente após o personagem Oz (James Franco) vai parar no mundo de.. humm, Oz.

Oz é um daqueles mágicos/ilusionistas de circo que vivem de truques baratos, seja com sua platéia, seja com as mulheres que ele cativa com um sorriso maroto e uma história a respeito de uma caixa de musica que seria de sua avó. Uma dessas mulheres é a esposa do homem forte do circo que resolve tomar satisfação. Oz foge em um balão e é pego por um tornado, que o leva até Oz, da mesma forma que Dorothy viajou no filme original.

Lá ele conhece uma bela bruxa chamada Theodora (Mila Kunis), que se apaixona por ele e diz que ele é o Mágico predestinado a trazer paz para aquele reino. No castelo de Esmeralda, sede do poder no reino, ele conhece Eleonora (Rachel Weisz), irmã de Theodora, que desconfia que Oz não é exatamente um mágico de verdade que veio para os salvar.

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Eleonora manda então Oz em uma missão para matar a bruxa malvada Glinda (Michelle Williams) e provar que é o verdadeiro mágico.

Evitando o máximo de spoilers para quem não viu o filme original, o filme trás em si um elenco de ponta, atuando de forma precária, e talvez o grande culpado disso seja o diretor Sam Raimi. Desde sua trilogia do Homem-Aranha, percebe-se que ele não anda conseguindo dirigir seus atores da melhor forma possível. James Franco exagera em suas falas e expressões além dos limites do aceitável e as três bruxas parecem que estão com preguiça, fazendo a cada cena apenas fazem o necessário para receber seu pagamento contratual.

A melhor personagem do filme é a bonequinha de porcelana, seguida de perto pelo macaco voador e não só por suas dublagens, mas também pelos ótimos efeitos especiais inseridos neles. Apesar da interação dos atores de carne e osso com ser mal desenvolvida, faltando um pouco de harmonia entre equipe de efeitos e direção.

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A história é bobinha como um filme do mágico de Oz poderia ser, mas só de haver o mínimo de cantoria (os Munchkins ameaçam cantar e Oz os faz ficarem quietos, talvez na melhor crítica ao filme original que se poderia fazer sem soar como heresia), já foi o bastante para pelo menos não desagradar. Porém, ao mesmo tempo que os efeitos visuais acertam em cheio no visual da boneca e do macaco, erram e muito nas locações e objetos que interagem com os atores reais.

Era de se imaginar que certamente um filme desses traria em si uma alta qualidade de efeitos, porém, o que se viu foi a reciclagem dos efeitos usados no recente Alice no País das Maravilhas, usando efeitos datados e sem qualquer novidade. Os babuínos voadores, a floresta assombrada, a aparição das bruxas, tudo isso ficou com uma extrema baixa qualidade trazendo uma certa nostalgia se aqueles efeitos usados na década de 30 não seriam mais apropriados do que filmar tudo em telas verdes e adicionar com efeitos especiais.

Não quero ficar me repetindo quanto aos atores em si, mas havia no ar uma clara falta de inspiração no elenco. Em alguns momentos haviam exageros, outros preguiça. James Franco já anda deixando claro que seu lugar não é mais em frente as câmeras e este filme só vem para comprovar que é hora dele se dedicar a sua carreira como diretor e roteirista, especialmente se o seu roteiro sobre a vida de Charles Bukowski vir realmente a ser gravado e lançado.

Outros atores perceberam suas restrições, seguiram este caminho e até Oscar ganharam, como o caso de Ben Affleck. Está mais que na hora de Franco assumir seu lado atrás das câmeras e deixar o trabalho de ator para quem entende de atuação. Talvez ele tenha aceitado o papel para (spoiler leve) poder ter a oportunidade de beijar as três atrizes que interpretam as bruxasno filme.

A trilha sonora de Danny Elfman segue seus padrões estabelecidos nos anos 90, sem qualquer novidade inclusive sendo facilmente reconhecida logo que começa o filme. Como Elfman gosta de corais, harpas e orquestrações diferentes, suas trilhas sempre são marcantes.

Por fim, Oz é recomendado pela diversão descompromissada e para quem sempre quis saber um pouco mais sobre as histórias no mundo mágico de Oz e a origem das bruxas e tudo mais. Para quem não se importa, nem vale a pena gastar o dinheiro do ingresso, melhor ir comer um temaki.

[xrr rating=2.5/5]

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