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“Pequeno Dicionário Amoroso 2” funciona melhor como um reencontro

Pequeno Dicionário Amoroso foi uma ótica sacada de Sandra Werneck em cima da obra “Fragmentos de um Discurso Amoroso” do francês Roland Barthes, que se transformou num inesperado sucesso no circuito cinematográfico brasileiro no distante ano de 1997. Seguindo a lógica sucessiva do abecedário, a história ia acompanhando as diferentes fases de um relacionamento (Andréa Beltrão e Daniel Dantas) que se inicia e amadurece, dentro de suas prerrogativas e perspectivas.

Quase vinte anos depois, a diretora  ao universo criado lá trás, atualizando o conflito que envolve seus velhos e novos personagens. Após se separarem, Luíza (Andréa) e Gabriel (Daniel) se reencontram no cemitério, logo após o velório do padrasto dela. Luíza casou-se novamente, com Alex (Marcelo Airoldi), e com ele teve um filho, enquanto que Gabriel teve várias namoradas e hoje vive com Jaqueline (Fernanda Freitas), bem mais jovem do que ele. O reencontro faz com que Gabriel visite Luíza na galeria de arte que administra e, impulsionado pelo fato dela estar bem infeliz no casamento, eles logo iniciam um caso.

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Werneck demonstra estar muito a vontade nesse retorno à sua história, mais até do casal principal do que da atualização que faz deles. Dito isso, fica uma sensação de que a leveza e espontaneidade exalada na história original, aqui se transforma numa tentativa gritante de atualizá-la. Ou essa tentativa fica mais aparente do que deveria. Por outro lado, a intimidade com que os personagens antigos voltam à trama (como a ex-mulher de Gabriel, vivida pela sempre ótima Glória Pires) consegue fazer com que ainda torçamos por seus finais felizes.

A fotografia romantiza com lucidez a cidade do Rio de Janeiro, e acaba por contribuir para o envolvimento com a história. A maturidade de Sandra é refletida pela condução final de seu filme, crível e em aberto. E foi essa qualidade que equilibrou seu filme, mesmo ele sendo cômodo à sua trajetória. Pequeno Dicionário Amoroso 2 acaba por ser mais um reencontro que uma revisão. Nesse sentido é um filme também mais agradável do que necessariamente bom.

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