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Porta dos Fundos estreia no cinema sem ousadia com “Contrato Vitalício”

Da combinação da agilidade da internet com a sagacidade dos stand up comedies saiu o Porta dos Fundos, quadros humorísticos feitos para um canal da internet por um grupo de jovens atores e roteiristas. O sucesso da empreitada foi grande e a turma se tornou uma das maiores referências do humor nesse início de século XXI. Com o êxito, não era de se estranhar que houvesse transmigração para outras mídias como a TV, com um programa no canal FOX e agora chega nos cinemas, com o longa metragem “Porta dos Fundos: Contrato Vitalício” (Brasil, 2016).

A incursão cinematográfica do fenômeno da internet traz a inusitada trama envolvendo os amigos Miguel (Gregório Duvivier) e Rodrigo (Fábio Porchat), que costumam realizar filmes juntos. Certa ocasião, um de seus filmes ganha um importante prêmio em um festival internacional. empolgados com a premiação, os dois saem para comemorar e, durante uma bebedeira, Rodrigo assina, em um guardanapo de bar, um contrato vitalício que garante que ele estaria em todos os filmes de Miguel dali por diante. No entanto, Miguel desaparece misteriosamente e só retorna dez anos depois, quando quer fazer de tudo para que Rodrigo, agora um ator consagrado, aceite a proposta de protagonizar um filme insano que pode destruir sua carreira de ator.

O “Porta” sempre funcionou muito bem dentro do exíguo tempo de seus esquetes e da agilidade dos vídeos na web, mas fazer um humor mais prolongado parece não ter sido o que impediu o pleno funcionamento do filme. Porchat, Duvivier e toda a trupe são excelentes atores e têm o perfeito timing para a comédia, mas a sensação que fica ao assistir ao filme é que faltou ousadia tanto no roteiro, assinado por Porchat, quanto na direção de Ian SBF, que o dirigiu no filme “Entre Abelhas”.

Essa falta de ousadia parece ter havido por um certo dilema entre dialogar com os fãs do canal do Youtube ou tentar agradar o público geral, acostumado com comédias rasteiras. A saída mais óbvia seria agradar a todos para que o projeto fosse menos arriscado quanto ao desempenho nas bilheterias. O Porta não produziu o filme sozinho, estava associado com empresas como a Paramount e o canal Telecine, e sabemos bem que, hoje em dia, grandes produtores querem risco mínimo. Com isso, a trupe se queda um tanto engessada e, alijada da anarquia que a caracterizou, faz ali o que pode entre piadas que funcionam e outras que não têm muita graça e patinam no humor óbvio.

O argumento é interessante, mas a estratégia narrativa de costurar pequenos esquetes no decorrer da trama nem sempre surte o resultado desejado. O ponto positivo do filme fica mesmo por conta dos atores. Além do bom desempenho de Porchat, Duvivier está hilário como o diretor lunático, assim como Júlia Rabello se mostra impagável como a preparadora de atores, uma entre várias gozações com os bastidores do meio artístico que provocam riso sobretudo em quem é do âmbito ou o conhece bem. Mas, no geral, fica uma certa frustração com essa primeira investida do Porta na telona.

Porém, foi revelado por eles em entrevista recente que os planos para o futuro são ambiciosos que incluem o lançamento de dois títulos nos cinemas por ano a partir de 2018. “O Palestrante Motivacional”, que chega no próximo ano, e um seguinte, que foi apelidado por eles de “nosso Relatos Selvagens”, em referência ao filme argentino que fez grande sucesso no Brasil. Quem sabe daí não saem filmes realmente ousados, como as esquetes que nos acostumamos a ver na web?

Filme: Porta dos Fundos: Contrato Vitalício
Direção: Ian SBF
Elenco: Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Antonio Tabet
Gênero: Comédia
País: Brasil
Ano de produção: 2016
Distribuidora: Paris Filmes
Duração: 1h 35min
Classificação: 14 anos

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