em ,

Resenha: Água para Elefantes

As lonas do circo ainda estavam erguidas, mas as luzes da entrada já haviam se apagado. O fim do espetáculo fora anunciado havia algum tempo. Mesmo assim, havia um senhor, dono de um olhar cativante, cheio de dizeres mesmo sem dizer uma palavra sequer, que ainda continuava lá parado diante da entrada do circo, debaixo de chuva. Ele era Jacob Jankowski (interpretado por Hal Holbrook, premiado por seu papel coadjuvante em Na Natureza Selvagem), um senhor apaixonado pela vida no circo. Dois funcionários decidiram leva-lo para dentro do circo, onde a chuva não mais seria um perigo. Lá estava ele, então, de volta ao picadeiro, respirando novamente a vida tal qual ela é sob as enormes lonas de um circo.

Jacob Jankowski era filho de poloneses, estudava veterinária e às vésperas de se formar em uma renomada universidade, seus pais sofrem um acidente de carro que os tira a vida. Sozinho, sem dinheiro e sem uma casa para morar, anda sem rumo pela estrada até que um trem cruza seu caminho. “Fui eu que peguei o trem, ou foi o trem que me pegou?”, Jacob não sabia ao certo, mas daí em diante sua vida se transformaria, definitivamente.

A bordo do trem do Circo Benzini Bros, o maior espetáculo da Terra, Jacob se apaixona por Marlena, a mulher do dono do picadeiro, August. Este Jacob, ainda adulto, é interpretado por Robert Pattinson e Reese Witherspoon é Marlena, a principal atração do Benzini Bros. Contratado pelo circo, ele recebe a função de dar água ao novo número do show, a elefanta Rosie. August (clichê de um cruel dono de circo bem vivido por Christoph Waltz, aquele que interpretou um coronel nazista em Bastardos Inglórios do glorioso Tarantino) se irrita com a desobediência da elefanta, que não entende os comandos que lhe são dados, e, então, o vilão do filme nos é apresentado. August espanca os animais, os utiliza nos shows mesmo quando estes não têm mais condições físicas para tal.

A precária vida no circo, não só para os animais, mas também para os homens é retratada no filme. Lá homens e animais morrem de exaustão, de fome, porém nunca são poupados.

Rosie e a paixão que sentem pelos animais são os fatores que unem Jacob e Marlena. A elefanta se torna a atração principal do show, quando se descobre que ela entende alemão. Tudo parecia caminhar bem, quando August começa a desconfiar de Marlena e Jacob. O casal tenta fugir das garras do dono do circo. No entanto, ele e seus capangas são capazes de mover montanhas para trazer de volta a atração principal do Benzini Bros. Bem sucedido em seus planos, Marlena volta a se apresentar, mas Jacob não desiste de resgatá-la.

Este é o enredo de Água para Elefantes, um amor proibido sob as lonas de um famoso circo da década de 30, os Benzini Bros. É interessante notar a forma de vida, a lógica da sobrevivência que determina os picadeiros. Os circos vivem muitas vezes de restos dos outros circos e, um dia, estes outros circos virão resgatar os restos dos Benzini Bros também. Uma vez dentro de um picadeiro, é preciso aprender a viver como estas figuras circenses, que misturam melancolia profunda com a mais pura felicidade. Este incrível paradoxo é tangente ao filme Água para Elefantes o tempo todo, e Jacob vai nos conduzindo a esta descoberta aos poucos, enquanto vai deixando de ser mero espectador para ser parte do espetáculo.

No entanto, o riquíssimo ambiente do picadeiro com todos os seus personagens exóticos é muito pouco explorado, de fato. Estas encantadoras figuras do submundo circense são deixadas de lado, apesar de parecerem ser muito mais interessantes do que os próprios protagonistas do filme. Elas é que rendem boas histórias. O foco no romance proibido de Marlena e Jacob transforma o intrigante título do filme e o fantástico mundo dos circos em um entretenimento “água com açúcar”, como se costuma ouvir por aí.

Caro leitor do Ambrosia, esta resenha deve servir para alertá-lo de que nem sempre um bom título pressupõe uma obra agradável. É este o caso do atraente Água para Elefantes, que estreia nos cinemas brasileiros dia 29 de abril. Pattinson e Witherspoon não conseguem convencer o espectador, não há química entre eles.

O filme é uma adaptação do livro de Sara Gruen, uma canadense que realizou uma pesquisa intensa sobre circos antes de escrever sua obra. O livro, que contém uma nota da autora bem interessante na última página, mostrando que ele pode não ser uma má leitura. Talvez eu recomendasse o livro, se o tivesse lido por inteiro, mas não o filme.

 

[xrr rating=1/5]

Título Original: Water for Elephants

Direção: Francis Lawrence

Estréia nos cinemas do Brasil: 29/04/2011

alguém opinou!

Deixe sua opinião!
  1. Eu nem queria ser birrento, mas esse garoto só estraga projetos ou se mete em filmes muito ruins. O que é bem justo, dado o seu talento.

Participe com sua opinião!