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“Sully: O Herói do Rio Hudson”: entre a fatalidade e o patriotismo

Quando, numa fria manhã novaiorquina de janeiro, um Airbus A320 fez um desesperado pouso forçado em pleno rio Hudson, já se sabia que o fato de alguma maneira marcaria a vida dos americanos, dentro de sua já cotidiana, paranoia terrorista. Sabendo então que tratava-se de ato heroico do piloto Sully Sullenberger, que, se valendo de toda experiência e habilidade do ofício, conseguiu reverter a artimanha de um problema técnico, evitando um desastre aéreo que sepultaria 155 vítimas, óbvio que seria absorvido pela máquina hollywoodiana.

O diretor Clint Eastwood se envolveu no projeto e entregou Sully: O Herói do Rio HudsonO roteiro de Todd Komarnicki, baseado no livro Highest Duty: My Search for What Really Matters, do próprio Sully Sullenberger com Jeffrey Zaslow, reconta que o piloto (vivido com desempenho exemplar de sempre por Tom Hanks), de 57 anos, pretendia voar por pouco tempo antes de se aposentar. Até se deparar com essa viagem de Nova Iorque para Carolina do Norte, onde tem que fazer uma aterrissagem de risco depois que o avião é atingido por pássaros, deixando os dois motores sem potência.

A história em si não rende mais que a própria fatalidade do episódio, entretanto a sobriedade de Eastwood confere dramaticidade na medida certa para a narrativa que constrói a figura do piloto como um herói. Tanto que se concentra nessa história, sem investir em paralelos com passageiros.  

- sully - “Sully: O Herói do Rio Hudson”: entre a fatalidade e o patriotismo

Mas se a sobriedade é um trunfo sempre certeiro de Clint, sua inclinação – sem sutileza – para uma espécie de patriotismo épico, desequilibra um pouco o resultado, uma vez que a necessidade de torná-lo um mártir diante da própria aviação norte-americana funciona dramaticamente, mas ressoa superficial dramaturgicamente. Assim como um desnecessário epílogo, reunindo vagamente o Sully real com alguns dos sobreviventes.

São poréns incômodos, mas que não afetam a capacidade que o filme tem de ser um retrato emocionante de um episódio real que impressionou tanto que foi chamado de “Milagre de Hudson”. Clint e sua expertise, para além da trama que o cerca, conseguiu humanizar a epopeia, mesmo que tenha cedido à sentimentalismos cívicos para que a satisfação seja plenamente garantida.

- Sully - “Sully: O Herói do Rio Hudson”: entre a fatalidade e o patriotismoFilme: Sully: O Herói do Rio Hudson (Sully)
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney
Gênero: Drama/Biografia
País: EUA
Ano de produção: 2016
Distribuidora: Warner Bros
Duração: 1h 36min
Classificação: 10 anos

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Publicado por Renan de Andrade