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Super 8

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O posto ocupado por Jeffrey Jacob Abrams como o novo Midas da indústria de entretenimento norte americana é inquestionável. Praticamente tudo o que toca se transforma em ouro: na televisão criou o seriado mais cultuado da primeira década do século XXI e produz Fringe, uma das maiores coqueluches da TV atualmente; no cinema socorreu Tom Cruise e sua série Missão Impossível no cinema, que parecia fadada ao ridículo. Revigorou também a combalida franquia Star Trek, mostrando (à sua maneira) como se deu a primeira missão da Enterprise. Mas esse novaiorquino nascido a 27 de junho de 1966 nunca escondeu que sua maior influência é Star Wars e todos aqueles filmes de aventura e ficção da segunda metade dos anos 70 e início dos oitenta, período em que Steven Spielberg reinava como o então Midas da indústria do entretenimento. Pois eis que chega a hora de Abrams prestar seu tributo a esse cinema que tanto o inspirou, e sob a produção de ninguém menos do que Spielberg em pessoa.

Super 8 (idem, E.U.A/2011), que chega às salas brasileiras nesta sexta com dois meses de atraso em relação à America do Norte, se passa no verão de 1979 quando os amigos pré- adolescentes Joe, Charles, Alice, Cary, Martin e Preston,  munidos de uma câmera super 8, se reúnem para realizar uma “superprodução”de horror na pequena cidade onde vivem. Joe (Joel Courtney) perdera sua mãe quatro meses antes e junto com seu pai, o policial Jack (Kyle Chandler), se esforça para se adaptar à nova vida; Charles (Riley Griffiths), o dono da câmera é um autêntico aspirante a cineasta; Alice (Elle Fanning), a atriz principal, é uma garota durona que enfrenta problemas com seu pai alcoólatra e desperta interesse em Joe; Cary (Ryan Lee) atua na produção como um convincente zumbi e Martin interpreta o herói da trama. Apesar de parecer uma brincadeira de meninos, eles levam o projeto a sério e não encaram como um acampamento de férias. Durante as filmagens, o grupo capta uma violenta colisão entre um trem e uma caminhonete que desencadeia uma série de acontecimentos mais estranhos do que os do roteiro do filme do diretor mirim. A explicação para os eventos começa a ser desvendada a partir do que ficara registrado na câmera que continuou rodando enquanto os meninos se protegiam das fortes explosões causadas pelo acidente.

Abrams, que além da direção assina o roteiro, deixa evidente que o filme é um pouco autobiográfico a começar pelo fato de que tinha a mesma idade dos protagonistas no ano em que se passa a trama. Podemos notar que o cineasta projetou em Charles a sua precoce verve artística uma vez que, quando criança, também possuía uma câmera super 8 com a qual realizava filmes caseiros com temas como perseguições, batalhas e monstros. A escolha do elenco é um dos trunfos do filme, elenco esse que mescla atores sem experiência profissional, como Joel, e veteranos como Elle (que já tem no currículo Babel e O Curioso Caso de Benjamin Button). O diretor logra êxito ao extrair do jovem elenco um desempenho verossímil que dá credibilidade à trama fantasiosa e passando ao largo do estereótipo do pré-adolescente desprovido de inteligência e sutileza.

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A ambientação de época se dá de forma bastante cuidadosa nos figurinos e carros em cena ou na trilha sonora, pôster de Star Wars na parede do quarto de Joe e até uma piadinha com a grande novidade tecnológica walkman, avô dos atuais mp3 players. Há também a loja de câmeras onde se encontram os eletrônicos específicos daquele período como vitrolas, toca-fitas, além de, claro, câmeras super 8.

A bela homenagem aos filmes de então se dá não só no espírito da trama como na fotografia de Larry Fong, responsável por Sucker Punch, 300 e episódios da primeira temporada de Lost. Fong utiliza luz e tons bastante semelhantes ao que se usava no período. Vale ressaltar, ainda como parte do tributo, a trilha sonora de Michael Giacchino (Star Trek, Up) que evoca John Williams. Também merece destaque a competentíssima edição de Maryann Brandon e Mary Jo Markey cuja montagem em questão se coaduna com a era pré-videoclipe , além da edição de som que pode vir como séria candidata a uma indicação ao Oscar.

Super 8 configura indubitavelmente entre as produções mais interessantes do ano e consolida o padrão de qualidade da carreira cinematográfica de Abrams. É deveras simplista definir a película como uma mistura de Contatos Imediatos com Goonies consoante com a opinião de alguns. Os fãs de Spielberg identificarão facilmente o preito prestado ao cineasta assim como os fanáticos por Lost visualizarão peculiaridades em comum com a série. O único senão, que lhe custou um “a” na cotação abaixo foi seu desfecho incongruente com a qualidade do desenvolvimento da trama, tal qual o último episódio de Lost. Porém, a surpresinha durante os créditos, de longe uma das coisas mais legais do filme, ameniza o gosto amargo que quase fica na boca do espectador no desfecho. Na verdade, somente a intenção de trazer de volta um cinema que deixou saudades já é um mérito inegável da produção. Espectadores de São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro Deem preferência à sala Imax.

[xrr rating=4/5]

Título Original: Super 8
Duração: 112 min
Ano: 2011
País: Estados Unidos
Direção:J.J. Abrams

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Publicado por Cesar Monteiro

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