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“Três Mulheres: Uma Esperança” trata sobre as mulheres em tempos de guerra

A guerra não tem rosto de mulher, mas elas não estão imunes aos horrores

A guerra não tem rosto de mulher, diz o título de um famoso livro. Substantivo feminino que não tem espaço em si para a feminilidade: esta é a guerra. Ou talvez deveria ser, porque, querendo ou não, a mulher se envolve com a guerra, seja como apoio em casa do soldado que está lutando no front, seja como testemunha ocular dos horrores, como vítima ou refugiada. O filme Três Mulheres: Uma Esperança escolhe focar em três mulheres, como o título já indica, absorvidas pelo redemoinho da guerra. Não é um filme sobre amizade ou superação, mas sim sobre a condição humana – e feminina – frente às adversidades.

Em abril de 1945, os nazistas enchem três trens com judeus oriundos do campo de concentração de Bergen-Belsen – onde ficara e morrera Anne Frank – para que estes comboios estejam cheios de “moedas de troca” quando for necessário usá-las. Um dos trens para na cidade de Trobitz e é encontrado pelos soviéticos após ser abandonado pelos alemães. Nossa primeira protagonista, Simone (Hanna Van Vliet), é uma das passageiras deste trem. Completam o trio de protagonistas Vera (Eugénie Anselin), atiradora do exército soviético, e Winnie (Anna Bachmann), jovem alemã.

Simone, uma prisioneira holandesa, está no trem com o marido Isaac, que tem dificuldades de se locomover por causa de um machucado no pé. Concomitante à libertação do trem, Winnie tem sua casa invadida e sua mãe assassinada pelos soviéticos, que ainda a obrigam a ir resgatar os prisioneiros do trem e levá-los até a igreja do povoado. Vera impede que Winnie seja estuprada por soldados soviéticos e acompanha a garota até sua casa, onde Simone e Isaac já tomaram conta do espaço. Vera também se “hospeda” na casa naquela noite e, apesar de as mulheres sequer falarem a mesma língua e de existir uma imensa animosidade entre elas, elas tocarão a vida umas das outras de um jeito impensado.

O filme evita fazer julgamentos. Fica entendido que Winnie apoiava o nazismo devido à sua recusa de queimar a braçadeira com a suástica, e também por o quarto na casa ser todo decorado com suásticas, um detalhe nada sutil. Os soldados soviéticos são violentos e machistas. E, mesmo em meio à destruição da guerra, as mulheres têm desejos e impulsos sexuais. Tudo isso para mostrar que os personagens são demasiado humanos e, portanto, contraditórios.

O título em português é poético, bem mais que o título original em inglês: Lost Transport, ou Transporte Perdido. Não há nada de perda no abandono do trem com os prisioneiros, da mesma maneira que não há nada de muito esperançoso na ligação que se forma entre estas mulheres. Não cabe aqui sugerir um novo título, mas cabe a reflexão sobre as mudanças de percepção e expectativas prévias do espectador que advêm dos diferentes títulos.

Três Mulheres: Uma Esperança foi escrito e dirigido por Saskia Diesing. Nascida na Holanda, viveu na Alemanha até os oito anos de idade. Estreou como diretora e editora na televisão holandesa tendo dirigido filmes para a TV e longas de ficção que fizeram carreira e ganharam prêmios em diversos festivais.

O que surge entre as três mulheres do filme é alguma empatia e sororidade. Elas não chegam a ficar amigas mas se ajudam mutuamente porque isso é o mais humano a fazer e também é necessário para sobreviver numa guerra que não foi travada por elas, mas que dela participam sem receber convite.

Três Mulheres: Uma Esperança

Três Mulheres: Uma Esperança
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Nota: 7/10 Ótimo
Nota: 7/10 Ótimo
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