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Wim Wenders não chega a um lugar com “Tudo Vai Ficar Bem”

Para a felicidade dos fãs do cineasta Wim Wenders, o autor de ‘Asas do Desejo’ está de volta com seu novo filme “Tudo Vai Ficar Bem” (“Everything Will Be Fine” Ale/Can/Fra/Nor/Sue, 2015), com elenco estelar e a peculiar identidade visual do diretor. Em uma noite de inverno e neve densa, o escritor em crise criativa Tomas (James Franco) causa um acidente e isso vai deixar uma marca indelével em sua vida, como se já não bastasse o relacionamento em crise com Sara (Rachel McAdams).

Tomado pela culpa, Tomas se aproxima de Kate (Charlotte Gainsbourg), mãe dos envolvidos. Wim Wenders propõe no filme uma discussão sobre culpa, busca do perdão através da trajetória de Tomas e sua forma impessoal de reagir a tudo que se passa a sua volta desde o incidente.

A direção de Wenders é precisa, com seu tradicional olhar contemplativo em planos longos, as atuações de Franco e Charlotte são bastante corretas. Tudo correria bem se não fosse o roteiro de Bjørn Olaf Johannessen, que contradiz a premissa a partir do terço final trocando a sutileza subjetiva do início por uma condução nos ditames do lugar comum. Por outro lado há a fotografia impressionista de Benoit Debie (de “Irreversível”) e a bela trilha sonora do sempre competente Alexandre Desplat.

“Tudo Vai Ficar Bem” funciona em boa parte dentro do propósito de exercício cinematográfico, mas acaba sendo prejudicado pela indecisão quanto à estrutura narrativa, como se a ideia inicial tivesse sido abandonada no meio do processo e substituída às pressas por outra de mais fácil compreensão para o espectador mais afeito a filmes de apelo comercial (que dificilmente se interessará por este filme).

A mão de um diretor como Wenders por trás das câmeras pode salvar projetos de um desastre total, haja vista “O Hotel de Um Milhão de Dólares”, mas não se pode dizer que seja garantia de milagre.

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